Work Text:
Peter levantou os olhos da arte em que trabalhava quando ouviu a porta de seu estúdio se abrir.
Stiles estava parado ali, olhando incerto dele para as paredes e então os modelos de tatuagens que tinha em quadros, e então de volta para ele. O cheiro de seu nervosismo chegava em ondas fortes até o nariz do lobisomem.
― Stiles ― Peter sorriu sedutor, deixando de lado seu iPad. ― Como posso ajudar?
― Eu quero ― Stiles parou, então pigarreou para limpar a garganta enquanto se aproximava. ― Eu quero fazer uma tatuagem.
O sorriso de Peter se alargou, ansioso para finalmente poder marcar a pele pálida do jovem, a qual vinha cobiçando desde que sua sobrinha Cora o apresentara como seu amigo da escola. Ele indicou a cadeira a frente de sua mesa, onde Stiles sentou-se tenso.
― O que você tem em mente? ― Peter perguntou, inclinando-se para a frente, a fim de estar mais perto do jovem. ― Ou me dará o prazer de criar uma arte única para você ao meu bel-prazer?
Stiles revirou os olhos e balançou a cabeça antes de enfiar a mão no bolso e tirar de lá um papel dobrado, colocando-o diante de Peter.
― Eu preciso tatuar isso ― ele falou, enquanto Peter analisava a forma. ― Tem que ser exatamente isso, sem um único traço diferente.
― Se aventurando pelas runas, jovem Spark? ― Peter ronronou, reconhecendo o símbolo para concentração. ― Eu me perguntava quanto tempo levaria para você querer algo mais permanente que alguns rabiscos feitos com esferográfica.
― Então, você pode fazer? ― O garoto questionou. ― Consegue deixar exatamente assim?
― Você subestima minhas habilidades se ainda precisa perguntar.
― Então para quando podemos marcar?
― Agora mesmo, se você quiser ― Peter sorriu, recolhendo o símbolo da mesa. ― O próximo cliente cancelou em cima da hora, então considere-se com sorte por me pegar com um tempo livre.
― Ma-mas agora? ― Stiles gaguejou nervoso. ― Você não precisa, sei lá, se preparar antes?
― O desenho já está pronto ― Peter sacudiu o papel. ― E tudo o que eu preciso já está aqui.
Stiles engoliu em seco, nervoso com a ideia de fazer a tatuagem, entretanto ele necessitava que suas runas durassem mais tempo em seu corpo se ele quisesse avançar com sua magia. E como mencionado por Peter, os desenhos feitos com caneta esferográfica saíam no primeiro banho, ou mesmo com seu próprio suor. Entretanto ele assentiu, reunindo coragem. Talvez ele precisasse de uma runa para isso também.
― Ótimo ― Peter exclamou. ― Me diga, querido, você bebeu álcool nas últimas 24 horas? Ou usou alguma droga?
― Não ― Stiles respondeu, confuso. ― O que isso tem a ver?
― Essas substâncias sobrecarregam o seu corpo, que vai precisar se concentrar na cicatrização da tattoo depois ― o homem explicou. ― Além disso, o álcool afina o sangue, o que faz você sangrar mais.
― Sangrar? ― De olhos arregalados, o garoto perguntou. ― Isso sangra?
― Tem uma agulha furando a sua pele centenas de vezes por minuto, é claro que sangra um pouco, sim ― Peter disse pacientemente. ― Você tomou algum anti-inflamatório ou outro medicamento para a dor?
― Não.
― Você já almoçou? ― O homem perguntou. ― Se estiver com fome pode ficar mais sensível à dor, ou baixar sua pressão, e eu não vou lidar com ninguém desmaiado na minha maca.
― Já almocei, sim ― Stiles revirou os olhos. ― Mais alguma coisa?
― Onde você quer fazer? ― Peter se recostou na cadeira, deixando seu olhar correr pelo corpo de Stiles. ― E de que tamanho?
― No peito ― o garoto disse, sem se deixar impressionar pelo olhar. ― E do tamanho do desenho que eu te dei.
― Tudo bem ― Peter assentiu. ― Fique à vontade enquanto eu monto a bancada e faço seu decalque. Tem água na geladeira, se quiser.
Stiles pegou uma garrafa mais para ter o que fazer com as mãos do que por cede, então voltou a se sentar para observar curiosamente Peter trabalhar.
O homem calçou luvas novas e limpou as superfícies antes de revestir a maca com plástico filme, assim como a bancada e vários instrumentos que Stiles só podia imaginar para que serviam, prendendo fios e separando uma pilha de papeis toalha, um potinho para a tinta e uma garrafa cheia de um líquido transparente. Na hora de montar a máquina, o garoto assustou-se ao vê-lo tirar a agulha da embalagem estéril, pois era uma coisa com uns bons 15 centímetros.
― Isso tudo é a agulha? ― Stiles exclamou, sem se conter. ― Por que diabos é tão grande?
Peter levantou o olhar para o garoto, um sorrisinho divertido repuxando as laterais de seus lábios.
― É grande demais para você? ― O homem perguntou de brincadeira, se divertindo com o olhar enfezado que recebeu em troca. ― Ela é desse tamanho para ser fixada na máquina, mas somente a pontinha vai na pele.
Stiles assentiu e suspirou aliviado, voltando a prestar atenção ao que Peter fazia.
O homem continuou encaixando as peças da máquina, mostrando com detalhes para Stiles onde ele prendia a agulha. Então separou também um barbeador descartável e mais alguns vidros antes de se virar para Stiles, decalque já pronto na mão.
― Tire a camisa ― Peter pediu, o que Stiles obedeceu, se sentindo nervoso. ― Primeiro eu vou limpar a pele e raspar qualquer pelo que possa ter para atrapalhar.
Stiles tentou não arrepiar enquanto Peter passava o produto para a limpeza e então o barbeador até parecer satisfeito com o resultado, para então secar bem o local limpo.
― Vou passar esse gel agora, ele serve para transferir o desenho do decalque para a pele ― o homem explicou, espalhando o transfer suavemente antes de colar o papel com cuidado na área marcada. ― Veja no espelho se está bom para você, se não estiver eu posso ajustar o tamanho ou posição.
Avaliando o desenho em seu reflexo, Stiles pensou sobre o que estava prestes a fazer, se sentindo um pouco mal por ter de fazer a tatuagem em um lugar onde seu pai dificilmente veria, pois não achava que conseguiria contar a ele que a marca permanente em sua pele tinha fins mágicos. Aprovando o lugar, Stiles deitou na maca segundo o indicado por Peter, que puxou sua cadeira e bancada para perto, ficando os dois confortáveis para o trabalho.
Peter estava ansioso para marcar a pele de Stiles, mas começou com cuidado para não assustar o garoto, porém isso foi em vão, pois com o primeiro contato da agulha, Stiles pulou com a dor da picada, mordendo o punho para evitar resmungar. Peter o olhou nos olhos sem dizer nada, esperando que o jovem se acalmasse antes de tentar de novo, obtendo outro espasmo indesejado.
― Se você não ficar parado eu não consigo trabalhar direito ― Peter reclamou, se afastando com um suspiro. ― Vou tentar de novo, então sossegue.
Mas ao tocar a pele pálida com a agulha pela terceira vez, Stiles pulou involuntariamente assustado, se desculpando com Peter profusamente.
― Stiles ― Peter reclamou, desligando a máquina e se recostando para trás na cadeira. ― Se você não suporta a dor em um lugar que sequer é dos piores, por que não escolheu outro menos sensível?
― Eu não quero que meu pai veja ― o garoto explicou, desviando os olhos. ― E eu dificilmente tiro a camisa na frente dos outros.
― Poderíamos então ter feito na sua bunda ― Peter sorriu predatório. ― Não dói tanto quanto o peito.
― Não! Ninguém vai tocar essa bundinha com uma agulha ― o menino negou rapidamente, para então franzir as sobrancelhas. ― Como você sabe? Experiência própria?
Stiles deixou seus olhos correrem pela porção de pele exposta nos braços e um traço escapando da curva do pescoço de Peter, cobertos pelos mais diversos desenhos, então imaginou que partes mais o homem tinha tatuado.
― Isso você vai ter que descobrir sozinho ― o lobo balançou as sobrancelhas. ― Mas em resposta, eu já tatuei muitas bundas, e tenho experiência o suficiente no ramo para saber as áreas de dor sem ter que fazer isso em mim mesmo.
Na quarta tentativa, a paciência de Peter se esgotou e ele se afastou mais uma vez, olhando para o garoto com as sobrancelhas arqueadas. Stiles se desculpou e prometeu ficar parado, mas Peter já havia ouvido o bastante. Apoiando uma mão no peito de Stiles, ele passou uma das pernas sobre o corpo do garoto, acomodando-se sentado sobre seu colo, onde poderia pressionar o jovem contra a maca com o antebraço livre enquanto segurava a máquina com a outra mão, evitando assim os espasmos.
― Ei! ― Stiles protestou, assustado ao ter seu colo cheio de Peter Hale. ― O que está fazendo?
― Garantindo que eu consiga fazer o meu trabalho ― o homem respondeu, despreocupado. ― E se você continuar a se mexer ― ele falou, baixando o tom de voz e se aproximando do rosto de Stiles ―, eu vou ser obrigado a prender você, imobilizá-lo até você estar paradinho e comportado para mim.
Stiles não pôde evitar o arrepio que cruzou o seu corpo, muito menos o ritmo acelerado de seu coração, e a julgar pelo sorriso completamente sujo e predatório de Peter, ele havia sentido o cheiro do que sua frase causara em Stiles.
― Você sempre faz isso com os clientes? ― Stiles perguntou. ― Se joga no colo dos que não ficam parados?
― Claro que não ― ele respondeu, voltando a ligar a máquina. ― Você sabe que é único, querido.
Stiles mordeu o punho fechado quando Peter finalmente começou a tatuagem propriamente dita, segurando com um antebraço forte e força de lobisomem sobre seu peito, o suficiente para impedi-lo de se mexer e causar algum traço errado, mas não tanto que dificultasse sua respiração ou machucasse.
Sem escolha além de aguentar a dor e a ardência, Stiles fechos os olhos e levou as mãos às coxas grossas de Peter que ladeavam seu quadril, apertando-as toda vez que precisava descontar o desconforto, mas eventualmente ele se acostumou, entretanto ainda contava os minutos para que acabasse.
Peter preenchia os traços com uma agulha mais grossa, satisfeito que Stiles havia parado de pular a cada rastelar, e talvez podia-se dizer que ele era um pouco sádico ao se divertir com os choramingos que o garoto emitia.
― Você não pode usar seu bálsamo de dor lobisomem? ― Stiles choramingou na metade do processo, abrindo os olhos para encarar o homem concentrado no que fazia. ― Isso é simplesmente cruel.
― Não estou com minhas mãos tocando diretamente sua pele ― Peter explicou, parando para limpar a tinta espirrada dos traços. ― E mesmo que estivesse, não o faria, pois isso iria me distrair resultando em algo menos do que perfeito.
Stiles então jogou a cabeça para trás contra o apoio, resignando-se com a dor e talvez se arrependendo um pouco de não ter aceitado a proposta da tatuagem ser em seu traseiro.
Quando o último traço foi dado e Peter declarou que havia terminado, Stiles abriu os olhos para ver o homem esticando as costas ainda sentado em seu colo e talvez ele estivesse se sentindo de alguma forma vulnerável depois da dor, mas nunca havia visto o lobisomem tão sexy quanto agora, as mangas da camisa preta arregaçadas e abraçando seus braços tatuados perfeitamente, o olhar satisfeito em seu rosto encarando seu trabalho bem-feito, e as luvas pretas dando um toque especial, ainda segurando a máquina em uma das mãos. Ele parecia maravilhoso.
E também havia notado o olhar predatório no rosto de Stiles, pois sorriu sedutor antes de se curvar até sua bancada, trazendo de lá a garrafa de água e alguns dos papéis toalha.
― Só preciso limpar e então terminamos ― Peter falou, sorrindo de um jeito que Stiles julgaria ser sádico.
E então ele entendeu o motivo, pois o papel parecia áspero demais sobre sua pele sensível, como se Peter o estivesse limpando com uma lixa. Felizmente essa provação acabou rápido, e logo o homem descia de seu colo, alongando as pernas cansadas depois de ter ficado uma hora na mesma posição.
Stiles se levantou também indo ao espelho avaliar ao trabalho, ficando um pouco assustado ao encontrar o local em volta do desenho todo vermelho e um pouquinho inchado. Mas o resultado da runa estava impecável, exatamente como deveria ser, sem nem um único tracinho torto.
― O que achou? ― Peter perguntou, se aproximando. ― Perfeito, não é?
― Ok, você é bom ― Stiles falou, se virando para o outro. ― Ficou ótimo.
― Agora me deixe colar o adesivo plástico.
Cuidadosamente Peter colou o adesivo próprio para tatuagens, que auxiliaria na cicatrização além de manter o local longe de sujeira ou bactérias, mas não impediria a pele de respirar.
― Pode se vestir agora ― o homem declarou, se virando para descartar as luvas sujas no lixo. ― E vamos aos cuidados posteriores.
Stiles vestiu sua camiseta e a flanela por cima, indo se sentar em frente a Peter na mesa.
― Primeiramente: higienização somente com sabão neutro, secando suavemente com uma toalha limpa ― Peter falou, assumindo seu tom sério de profissional. ― Nada de expor ao sol enquanto cicatriza, por favor, mesmo que eu saiba que você não sai por aí sem camisa eu preciso frisar esse ponto. Pomada cicatrizante é uma boa, vou indicar uma para você depois. Quarto: NÃO. COCE. A. TATUAGEM. Você não tem ideia do quanto isso vai parecer uma tortura, mas você NUNCA deve coçar a tattoo, e muito menos tirar a casquinha que forma depois, pois isso pode alterar no resultado final e no caso de sua runa, pode deixá-la sem o efeito desejado.
Stiles assentiu, anotando mentalmente cada ponto citado, prestando mais atenção no que Peter dizia do que em todos os seus anos escolares juntos.
― Ir à praia, nadar em rios ou qualquer coisa do gênero somente depois de cicatrizar bem ― o homem pontuou. ― Se valoriza minimamente o meu trabalho ou a dor gasta aqui, não deixe essa tattoo infeccionar, e lembre-se: ela é como uma ferida aberta, então deve ser tratada como tal. E não menos importante: nada de chocolate, fritura ou refrigerante.
― O quê?! ― Stiles guinchou indignado. ― Por quê?
― Essas coisas processadas ricas em açúcar, sal, gordura e óleos tem incríveis propriedades inflamatórias, o que dificulta o processo de cicatrização ― Peter falou, ignorando o protesto choramingado de Stiles. ― Você consegue sobreviver a alguns dias na mesma dieta em que submete seu pobre pai, não reclame, vai ser bom para o seu organismo constantemente pedindo socorro.
― Tudo bem ― Stiles suspirou, conformando-se com o seu destino saudável. ― Quanto eu lhe devo?
Informando o valor final, Peter divertiu-se com a surpresa no olhar de Stiles.
― Eu pensei que seria mais caro ― o garoto disse, tirando sua carteira do bolso. ― Essas coisas não deveriam ser caras?
― E são ― Peter sorriu, aceitando as notas que lhe eram entregues. ― Mas eu lhe fiz um bom desconto.
― Por quê?
― Eu gosto de você, Stiles ― Peter falou. ― E não são todos os clientes que me deixam tatuar sentados em seu colo.
― Como se eu tivesse tido escolha ― ele resmungou, se levantando. ― Obrigado pelo desconto, então.
Acompanhando Stiles até a saída, Peter abriu a porta para ele com um floreio, sorrindo presunçoso.
― Foi um prazer, querido ― ele ronronou, inclinando-se um pouco mais perto de Stiles. ― Espero você para as próximas runas, para que eu possa marcar essa pele maravilhosa mais vezes.
― Não vai acontecer tão cedo ― Stiles riu. ― Ainda mais se vou precisar passar dias sem doces ou um bom hambúrguer. Ou pizza. Ah cara, isso é tortura, já estou até com vontade. Mas enfim, você não precisa esperar a próxima tattoo para marcar a minha pele, basta me levar para um encontro antes.

Barb_Moony_H Mon 15 Apr 2024 04:56PM UTC
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