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relembrar (o amor pelo clã)

Summary:

"Não importa o quão danificado você esteja, ainda haverá amor para você. Não importa o quão indigno de ser amado você pensa que é, você ainda será amado. Você sempre será amado." Lukas W.

Verdadeiramente, Itachi estava morrendo de cansaço.

Depois de toda a sua vida manchada de sangue Shisui, seu pai, sua mãe, seu clã e tantos outros que ele matou pelo bem da aldeia  Itachi iria descansar e talvez reencontrá-los.

Itachi morreu com um sorriso no rosto, nas mãos de seu irmão.

 

Ele apenas não esperava encontrar seu clã de muito antes de seu pai nascer ou parar em uma época que Konoha não existia, muito menos estar vivo e respirando.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: o fim e depois o começo

Notes:

tw: ataque de pânico, menção ao suicídio e ao afogamento, sangue

Chapter Text

Itachi estava morrendo, ele já sabia disso.

Aquela doença desconhecida, que ele pegou em algum momento durante seu tempo na Akatsuki, não tinha cura, exceto, talvez, se Tsunade-hime o examinasse. Mas Itachi sabia que ela nunca faria isso por ele, considerando seu status de nukenin e seus crimes.

Se ele já estava fadado a morrer, poderia pelo menos ser nos seus termos.

Ele estava esperando no esconderijo Uchiha, sabendo que Kisame só deixaria Sasuke passar. Conhecia bem o parceiro, alguém que ele confiava.

Confiança. Era algo que ele nunca achou que sentiria novamente.

Algo que jurou nunca mais se permitir, não depois de Shisui e tudo que se seguiu.

Itachi sabia que se sentir um pouco mais calmo naquele lugar era um problema. Ele sabia que se compadecer, pensar que não eram tão diferentes de si, comprometia sua missão autoimposta.

Ele sabia disso, mas não quis dar atenção ao fato.

Se Itachi tivesse que explicar o que aquele tempo fora da vila representava, ele diria que era como um anestésico: suas feridas não seriam curadas, mas pelo menos a dor iria embora por um tempo. Ele poderia fingir que tudo estava bem por algumas horas, antes de sua doença acertar com força total quando estivesse sozinho, e ele ser forçado a se lembrar de tudo que fez.

Então ele passaria horas parado em pé, no meio do quarto, seus olhos desfocados enquanto repassava tudo, desde a primeira vez no campo de batalha até o dia em que matou todo seu clã.

Ele sabia que faria tudo de novo se fosse preciso, afinal Itachi sempre amou Sasuke, assim como Shisui o amava.

Mas talvez, se ele tivesse uma chance teria tentando fazer as coisas diferentes. Se ele contasse para o Hokage o que Danzō fez, as coisas teriam sido diferentes.

(Ele queria acreditar profundamente que sim, o Hokage ouviria e faria Danzō pagar por seus crimes, mas era conhecido por qualquer Shinobi que Hiruzen não conseguia levantar um dedo contra seu melhor amigo, mesmo vendo tudo que o “ancião” orquestrou.)

Aparentemente seu irmão tinha aprendido a ser silencioso depois de tudo.

Itachi abriu seus olhos e encarou Sasuke na entrada da sala, ele conseguia ver o vermelho embaçado do Sharingan no outro.

“Meu irmãozinho tolo, esse sharingan... quanto você realmente vê?”

“O quanto eu vejo? O que eu vejo agora, Itachi, é a sua morte.”

“Minha morte? Então,” Usando o Shunshin, Itachi apareceu ao lado de Sasuke. “faça acontecer.”

 


 

Quando a luta chegou perto do fim, Itachi se aproximou com passos vacilantes, o Susanoo ainda ativo. Sua mão se estendeu, fazendo Sasuke enrijecer — os olhos arregalados, prontos para o golpe final.

O medo no olhar de Sasuke foi como uma kunai cega e enferrujada em seu coração. Doeu ver que apesar de tudo, de toda a força que seu irmãozinho alcançou, ele ainda tinha medo de Itachi.

Como qualquer emoção que o levava em uma espiral descendente, Itachi guardou sua dor. Enterrando-a no fundo de sua mente, onde ninguém, nem ele mesmo, poderia tocar ou ver.

Contra as expectativas de Sasuke, dois dedos ensanguentados tocaram na testa dele. “Desculpe, Sasuke. Essa é a última vez.” Um sorriso quase imperceptível curvou seus lábios.  

Itachi estava aliviado. Aliviado por tudo ter acabado.

Ele ainda conseguiu ver, por um segundo, o espanto nos olhos do irmão.

Seu corpo cedeu, sua cabeça bateu na parede, deslizando pela superfície dura. Ele caiu de joelhos e pendeu para o lado, o deixando de barriga para cima.

Itachi estava morto, finalmente.

Nenhum dos irmãos chorou. Nenhum deles lamentou a morte. Por um curto momento, eles se sentiram livres.

Mas a liberdade não duraria muito. A verdade seria revelada, mais cedo ou mais tarde, e Sasuke sairia mais uma vez em busca de vingança, desta vez, contra Konoha.

Itachi lamentaria isso, se ainda estivesse vivo. Felizmente, ele não estava mais.

 


 

Itachi abriu os olhos para encarar o céu azul e a copa das árvores borradas.

Ele estava vivo.

Por quê? Ele apenas queria morrer, queria descansar. Aquele tinha sido o fim, deveria ter sido o fim

Vivo num lugar desconhecido, com as roupas encharcadas, quase sem chakra e com algo faltando. Parecia que alguma coisa importante tinha acontecido entre sua morte e o momento que ele abriu os olhos novamente, mas ele não conseguia se lembrar exatamente o que.

Ele suspirou, decidindo deixar essa questão de lado e focar no que importava no momento. Então ele se levantou, ficando sentado no chão, e suas mãos deslizaram pelo seu corpo, diagnosticando seus ferimentos. Duas costelas quebradas, um corte profundo na coxa esquerda, queimadura grave no braço direito, provavelmente nervos danificados, além de hemorragia interna.

Itachi estava acostumado a ter diversos ferimentos que poderiam colocá-lo na beira da morte, porém ele sempre tinha alguém ao seu lado para cuidar de si. Primeiro foi Shisui, depois por pouco tempo foi Kakashi, e, no final, foi Kisame.

Agora, pela primeira vez, ele estava sozinho e ficando mais exausto a cada respiração, seu chakra menos que uma gota de água no deserto.

Com dificuldade, ele puxou sua camisa e a torceu para tirar o excesso de água. Pegando sua única kunai restante, ele cortou um pedaço do tecido, enrolando-o na perna esquerda.

Ele deveria levantar e procurar abrigo, mas se apenas tirar sua camisa e colocá-la de volta quase o fez desmaiar, Itachi nem queria imaginar o que se levantar faria com seu corpo. Ele nem podia tentar convocar um corvo, não com a merreca que era o seu chakra no momento, a menos que-

Itachi suspirou, seria melhor dormir um pouco para se recuperar dos ferimentos e, talvez, quando acordasse teria chakra suficiente para curar um pouco dos seus pulmões.

 


 

Quando Itachi acordou foi para o frio da madrugada. Suas reservas tinham o suficiente para convocar um corvo por meia hora, talvez uma hora, dependendo do corvo.

Mais alerta, ele se levantou apoiando numa árvore próxima, suas pernas tremendo com o esforço. Com a esquerda ainda ferida, ele se apoiou principalmente na direita e saiu mancando a procura de uma fonte de água.

Ele tentou se localizar durante a caminhada. Claramente era Hi no Kuni, mas a sobrecarga de chakra no ar o deixava confuso. Não deveria ser assim, não quando não havia batalhas há anos.

Poucas coisas faziam sentido no momento. E Itachi torcia para que encontrasse a lógica por trás de tudo isso logo.

 


 

Após algumas horas de caminhada, Itachi encontrou um rio. Seguiu a correnteza montanha abaixo até parar na entrada de um campo de batalha.

Dois grupos, em margens opostas, se enfrentavam, jutsus de diferentes tipos eram lançados de um lado para o outro. O vapor se misturava ao cheiro de ferro no ar.

Agora ele entendia o porquê de o ar estar tão sobrecarregado, mas isso só o deixou com mais perguntas.

Por que Konoha não interveio? Com tantos jutsus sendo usados a torto e a direito, qualquer shinobi voltando de missão e, até mesmo, os sensores na aldeia iriam perceber a quantidade massiva de chakra nesse rio.

Decidindo por sair logo de cena antes que Konoha-nin chegasse ou alguém o atacasse, Itachi deu um passo para trás.

Ele deu três passos para longe do conflito antes de sentir alguém se aproximando. Sua mão deslizou para sua bolsa e pegou a única kunai restante. Ele se virou a tempo de interceptar uma katana que vinha pronta para cortá-lo ao meio, uma mulher de cabelo castanho empunhava a espada.

Eles se encararam por um segundo e pularam para trás, Itachi um pouco mais lento e desajeitado que a mulher.

Ele provavelmente tinha chakra suficiente para dois katons antes de desmaiar de exaustão, e ficar ainda mais exposto em um território com inimigos. Ele também poderia prender a mulher em seu Tsukuyomi e acabar com sua mente o suficiente para conseguir uma abertura e fugir dali antes de desmaiar.

Estar acordado era a melhor opção.

Sem perder tempo, Itachi enviou chakra para seus olhos, ativando seu Sharingan que-

Algo estava errado, tremendamente errado.

Itachi deveria ver melhor com seu Sharingan, ver as coisas um pouco menos embaçadas.

Ele deveria ver, mas agora isso era tudo o que ele não fazia.

Ele não enxergava, não com seu olho direito.

Ele estava-

Seu olho direito, aquele que carregava seu Amaterasu, o mesmo que usou durante toda a luta contra Sasuke-

Seu olho direito tinha perdido a luz.

Itachi estava cego.

Cego, Itachi estava cego. Ele não enxergava mais o que estava na sua direita e logo não veria o que estava na sua esquerda também

(Compartimentalize seus sentimentos, Itachi.)

Sua respiração estava mais rápida, ele ouvia seu coração batendo e sentia o sangue escorrendo de sua ferida recém aberta na perna.

Um Uchiha era nada sem seus olhos, seus preciosos olhos que faziam um Susanoo, olhos que carregavam seu legado, os olhos que eram o orgulho do clã

Seu peito apertou, respirar se tornou difícil, o sangue não coagulava.

Muito sangue. Vermelho em todos os lugares. Sua espada está vermelha, seu rosto também, seus olhos, suas roupas, a parede, tudo está manchado de vermelho.

 

“Respire, Tachi.” Shisui sussurrou, “Vamos, respire comigo. Um, dois, três, quatro e inspire. Um, dois, três, quatro e expire.” Ele repetiu mais algumas vezes até Itachi começar a imitar sua respiração. “Isso, Tachi, respire comigo.”

“Shisui...”

“Shh. Está tudo bem, Tachi. Nossa missão já terminou, estamos no meu quarto no complexo.”

“Eu-”

“Apenas foque na sua respiração.”

 

Um, dois, três, quatro e inspire.

Um, dois, três, quatro e expire.

Inspire e expire.

Respire.

 

Itachi abriu seus olhos apenas um enxergava, apenas um tinha luz para encontrar um homem em sua frente o defendendo da mulher, em sua camisa ele conseguia ver vermelho e branco se misturando como-

Como um uchiwa.

Não era um Uchiha.

ele matou todos, ele teve total certeza disso, então como um Uchiha estava vivo?

E ninguém usaria o símbolo de um clã morto enquanto Uchiha Itachi andasse pelas nações elementais, não alguém que tivesse senso de auto preservação.

Então, quem seria forte, ou louco, o suficiente para não temer Itachi?

Itachi ficou encarando aquele uchiwa nítido em sua visão, enquanto suas reservas de chakra se esgotavam sem ele perceber.

Uma tosse o atingiu. Sua mão esquerda logo estava na frente da sua boca enquanto a direita segurava sua camisa, como se fosse amenizar sua dor. O chakra correndo para seus olhos foi cortado abruptamente, se redirecionando para seus pulmões.

Sangue encheu sua mão assim como seus pulmões, estava difícil respirar novamente.

Itachi estava se afogando em seu próprio sangue.

Talvez foi assim que Shisui se sentiu quando se suicidou, se afogando no rio Naka sem conseguir ver

Sua visão ficou preta, ele tinha perdido muito sangue em pouco tempo.

Talvez, agora ele iria realmente morrer.

 

Seus olhos se fecharam.

Chapter 2: escolhas que assombram

Summary:

Itachi tem lembranças do passado, Izuna grita com Senjus e Madara leva um chute.

Notes:

olha só quem voltou! demorei um pouco pra trazer o cap 2 mas aqui estamos nós, com ele prontinho e revisado
mas antes de começar a ler quero dizer algumas coisas
primeiro MT obrigada por todos os kudos e comentários, eu não esperava tantos assim em apenas 1 capitulo e isso me deixou mt feliz
segundo eu tentei fazer os personagens o mais canônicos que consegui, mas talvez estejam um pouco oocs
terceiro quero agradecer a todo mundo q leu tbm e deu uma chance a essa história que nem tinha um planejamento decente (mas agr tem eu juro!)

enfim boa leitura, não se esqueça dos avisos

tw: sangue, suicídio, assassinato

ah recomendo ouvir Undone - FFH enquanto lê

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Estava escuro.

Ele estava cego? Perdeu sua luz?

O som não chegava até onde ele estava.

Seus ouvidos deviam estar intactos, ele devia ouvir

Ou talvez fosse sua voz que não saia?

Sua voz tinha que sair, a voz calma que ele sempre usava deveria sair

Ele não conseguia se mexer mesmo com o maior esforço.

O que estava acontecendo?? Onde ele estava??

 


 

Izuna conhecia as pessoas de seu clã de um jeito totalmente diferente de Madara, ele não sabia apenas coisas superficiais, mas também coisas mais profundas. Isso não era uma novidade, com as tantas vezes que ele andava pelo complexo e passava horas com os jovens shinobis.

Sendo assim, ele não podia evitar ser protetor com os Uchihas quando lutava contra o Senju, era apenas uma segunda natureza para Izuna.

Então quando ele saiu de sua batalha contra o demônio branco para salvar um Uchiha ninguém do clã ficou surpreso.

Ele cruzou espadas com a mulher Senju por dois segundos antes de ouvir um corpo caindo atrás de si, com maestria e rapidez ele moveu a espada da direita para a esquerda, cortando gravemente a mulher no tórax.

Izuna se virou e pegou o homem caído, seu coração disparando com a possibilidade de ser tarde demais para salvá-lo, que fosse mais um Uchiha que morreria em seus braços.

Seu chakra piscou em pânico alertando seus companheiros de clã e, principalmente, seu irmão que foi correndo até ele com Hashirama logo atrás.

“Izuna! Você está bem?!” Madara perguntou alarmado, seu Sharingan girando em pânico.

“Eu- sim, estou bem, mas ele-” Três pares de olhos se focaram no homem entre os braços de Izuna, a aparência dele estava péssima e o chakra abaixo de nível civil.

“Por Amaterasu, o que aconteceu com ele?” Izuna olhou para Madara antes de voltar sua atenção para o Uchiha ferido.

Havia muitas feridas que obviamente não foram muito bem cuidadas, o braço direito estava queimado até um pouco acima do cotovelo, um rastro de sangue descia nas bochechas, também existiam ferimentos internos se a o sangue no queixo servisse para alguma coisa.

Izuna podia não conhecer o homem, mas ele conseguia sentir o quão forte o homem era apesar de não estar no nível dele ou no de Madara, então para alguém conseguir ferir o homem assim... teria que estar pelo menos no nível de Izuna e ele não gostou disso, havia uma nova ameaça desconhecida em campo.

“Vamos para o complexo agora.”

Izuna se levantou e arrumou o homem nos braços para ficar mais confortável, ele ficou ao lado de Madara que dava ordens para pegarem os feridos e os corpos e bater em retirada.

“Espere!” Hashirama gritou inquieto, suas mãos se retorcendo para alcançar o desconhecido. “Eu e Tobirama podemos tratá-lo.”

“Você está louco?! Acha que vamos deixar um Uchiha em suas mãos, Senju?! Na mão daquele demônio?!” Izuna gritou alarmado, seu aperto no homem ficando mais forte.

“Você sabe que ele não aguentaria até o seu complexo. Ele perdeu muito sangue pelo que posso ver, se não começar a ser tratado agora, ele irá morrer antes de chegar na metade do caminho.” Tobirama apontou friamente.

“O que você está planejando, Hashirama?” Olhos vermelhos no Senju, a carranca de Madara estava completamente fechada quase igual a de Tobirama.

“Eu só quero paz, Madara, você sabe disso.” Hashirama respondeu.

“E você planeja usar um ferido para isso?!”

“Izuna.”

“Mas, nii-san-”

Madara suspirou derrotado, Izuna encarou o rosto do irmão e uma carranca se formou, não era preciso ser um grande observador para saber o que Madara estava pensando.

Ele teve que morder a língua para impedir qualquer emoção ou opinião de sair, ele conhecia Madara e sabia que nada nem ninguém poderia parar algum plano idiota que ele tivesse, quando o irmão dele estava assim com a esperança nos olhos nem mesmo Izuna conseguiria colocar senso no idiota.

“Vamos aceitar sua ajuda, mas ele deve ser tratado aqui.”

“Tudo bem. Tobirama, pegue ele.”

Izuna rosnou, nem morto ele iria deixar um Uchiha nas mãos de um Senju, ainda mais nas mãos do Demônio Branco. “Fique longe porra.”

“Izuna.”

“Não, ele não está saindo dos meus braços, lide com isso.”

Três suspiros pesados preencheram o campo de batalha parcialmente vazio.

 


 

Uma luz apareceu de repente, forte demais para desviar o olhar.

Seus olhos queimavam por causa da claridade, talvez ele estava morrendo? Vendo a luz uma ultima vez antes de tudo ser só escuridão?

Então a luz foi ficando mais fraca até ser apenas uma bola no horizonte, uma paisagem borrada apareceu e Itachi rapidamente reconheceu a lembrança.

O dia em que ele conheceu verdadeiramente a guerra.


O sol nascia, corpos estavam de todos os lados do campo devastado.

Era mais um dia em que Itachi estava acompanhando seu pai nos últimos meses da guerra e tudo estava igual como sempre.

Sangue, muito sangue para uma criança de quatro anos ver. Morte pairando no ombro, um erro e seria ele quem estaria no chão manchado de vermelho

Um homem implorou por água, apenas para depois atacar Itachi e morrer nas mãos dele.

“Pai, por que esse ninja tentou me matar? Eu não fiz nada. ”

“Porque isto é uma guerra onde estranhos se matam.”


Tudo ficou borrado novamente, o campo devastado pela guerra sumiu e sua casa apareceu.

Três outros Uchihas saiam da casa, um papel estava na mão de Itachi.

Ele não precisava de mais coisas para saber que aquele era o dia que a desconfiança dos Uchihas para consigo começou a crescer.


Os homens saiam depois de um interrogatório cheio de desconfiança para com Itachi, eles realmente acharam que ele matou Shisui?

Seu irmão mais velho, aquele que estava com ele em todas as reuniões do clã, em todo planejamento contra o golpe. Aquele que se matou na frente dele

“Vocês suspeitam de mim, certo?”

“Sim, isso mesmo, seu lixo!”

Itachi avançou neles, atacando os três. Ele não podia acreditar que ele era um suspeito, apenas porque ele tinha um Sharingan e estava distante do clã?

“Vocês não param de falar sobre o clã, é clã isso, clã aquilo. Esse apego à organização, ao clã, ao nome, esse tipo de apego só limita seu poder e deveria ser evitado. O ódio e o medo do que não entendemos é ridículo!”


A memória foi substituída por uma com Shisui, Itachi se lembrou de quando eles finalmente conseguiram se encontrar para conversar sobre a reunião, mais para planejamento, que tinha acontecido dias antes no santuário Naka.


Itachi e Shisui estavam no rio Naka, três noites após a reunião do clã. Shisui permanecia calmo enquanto olhava a correnteza feroz do rio, Itachi por outro lado estava andando de um lado para o outro enquanto dizia seus pensamentos em voz alta.

“O clã está tramando contra a aldeia, Shisui! Como eles podem fazer isso? Nós devemos protegê-la não lutar contra ela, somos todos da folha no final do dia. ”

“Itachi.”

“Ainda mais um golpe de estado, assumir o controle da aldeia através de uma guerra civil, isso é traição!”

“Itachi.”

"Eu-"

“ITACHI!”

Os passos pararam, Itachi se sentou ao lado de Shisui com um suspiro.

“Você sabe que a relação entre a aldeia e o clã está mais difícil desde aquela noite, ainda mais quando estivemos evacuando todo o mundo ao invés de lutar contra a raposa.”

“Era o nosso dever como a polícia militar! Quem iria evacuar os civis se nós não fizéssemos isso?? Os genins? Chūnins? Anbus? Ou os civis seriam deixados por conta própria?! ”

“Eu sei, Tachi. Mas nem todo mundo consegue ver isso, a aldeia quer culpar alguém por aquele dia e com o rumor que foi alguém com o Sharingan que libertou a raposa, a suspeita só aumenta.”

Devíamos ser família, uma família não suspeita dos seus


“Para conseguir mais poder.”

Porque tudo é baseado no poder, então talvez assim vocês me escutem, talvez assim vocês consigam ver a luz de verdade e não essa refletida no espelho

“O que você quer dizer com isso?”

Uma kunai foi arremessada, se fincando na parede bem em cima do símbolo do clã.

“Meu potencial está sendo bloqueado por esse clã ridículo! Aderir a esse clã e as coisas que não importam faz com que não vejamos o que realmente importa. Mudanças de verdade não vem quando você se prende a regras e limitações quando está satisfeito com premonição e adivinhação. ”

“Quanta arrogância!”

“Capitão, dê-nos permissão de prendê-lo!”

“Nii-san, pare por favor!”

“Eu não matei Shisui.”

Nunca poderia fazer isso, você deveria saber disso, tou-san

 


 

O Uchiha começou a se debater assim que foi colocado em cima das raízes feitas por Hashirama, ele parecia extremamente ameaçador e em pânico, resistindo totalmente as tentativas de Tobirama e Madara de acalmá-lo.

“O QUE VOCÊ FEZ COM ELE, SENJU?!” Izuna afastou Tobirama de perto do homem, seu Sharingan estava ativo sem ele nem perceber.

“Você sabe que eu fiz nada, Uchiha. O homem deve ter reagido a movimentação e todos os chakras em cima dele, ele pode não ser um sensor, mas suas habilidades sensoriais não são ruins. ”

“Como podemos acalmá-lo, Senju?” Madara perguntou com dificuldade, apesar de todos os machucados, o homem ainda tinha força.

“Ele é do seu clã, vocês que deveriam saber disso.” Tobirama rebateu antes de sair em busca de Hashirama.

“Izuna, segure os braços dele.” Madara comandou enquanto segurava os pés agitados.

“Certo.”

Izuna se aproximou do Uchiha com cuidado, ele sabia lidar com outros de seu clã o atacando após uma longa missão, porém eles sempre se acalmavam quando sentiam o chakra queimando como fogo comum dos Uchihas, esse homem agiu totalmente ao contrário, ficando mais agitado quando reconheceu o chakra.

Izuna viu de canto de olho um chute acertando diretamente seu irmão na barriga, ele rapidamente soltou os braços do Uchiha e correu para apoiar Madara.

"Nii-san!"

“Estou bem, Izuna.” Madara disse se desvencilhando do aperto do irmão e voltando para os pés do homem, Izuna suspirou antes de segurar os braços novamente.

“Claro que sim, só foi derrubado por um chute.”

 


 

“É muito tarde para impedir o golpe. Ia tentar impedi-lo com meu kotoamatsukami, mas Danzō pegou meu olho direito, suspeito que ele esteja atrás do meu olho esquerdo também. Você é a única pessoa em quem posso confiar, por isso vou dá-lo a você, Itachi. Por favor, proteja a vila e a honra dos Uchihas. ”

Um corvo pegou o olho estendido e se transformou em penas, os olhos de Itachi giraram em preto e vermelho.

“O que você fará agora?”

“Muitas coisas vão mudar com minha morte.”

Shisui deu alguns passos para trás, ele estava quase na beira do precipício.

“Espere, Shisui!”

Mais dois passos.

“Não me impeça, Itachi.”

Um sorriso sereno abriu caminho pelos lábios de Shisui, seu corpo foi caindo para trás lentamente enquanto Itachi corria até o amigo.

Shisui caiu.


Kakashi e Itachi estavam subindo a torre de vigilância Anbu.

“Está tudo bem para você espionar seu clã?”

“Isso é necessário.”

“Mas você está bem com isso?”

Sinto que estou traindo minha família, traindo tudo que conheço

“Isso não importa.”


“Por que você não foi para o enterro, nii-san?!”

“Não queria deixar os outros desconfortáveis com minha presença.”

Não conseguiria aguentar o olhar de todos me julgando, o olhar de um shinobi pronto para matar no menor deslize

“Mas Shisui era seu amigo! Ele era da família!”

“Eu sei.”

“Então, por quê?! Por que você não foi para o funeral?! Por que você ficou se escondendo aqui em casa?!”

Apenas pare de perguntar, otouto, por favor

“Sasuke-”

“É VERDADE QUE VOCÊ MATOU ELE?!”

Até mesmo você acredita que eu poderia matar Shisui, Sasuke?


 

O Uchiha ficou agitado novamente, ele se debatia tentando se soltar dos apertos de Izuna e Madara.

Então seus olhos abriram ainda vermelhos, ele encarou Izuna febrilmente e relaxou quase que imediatamente.

"Sasuke..."

 


 

O rio Naka era o único lugar que Itachi conseguia respirar um pouco, a tensão entre a aldeia e o clã apenas aumentava, ainda mais depois da morte de Shisui.

Olhos nas costas em todo lugar que vou, ninguém confia mais em mim. O clã, meu pai, todos me olham com suspeita, traição, desconfiança

“Shisui, eu não consigo mais ser do clã. Eu vivo olhando por cima dos ombros, o clã não é mais o clã que amamos, Shisui.”

Tudo está tão diferente, irmão, como posso manter minha promessa?


Eles estavam em uma missão Anbu, a vigília era de Itachi, porém Kakashi ainda estava acordado.

“Você já chorou alguma vez, Itachi?”

“... Taichō? Por que você está me perguntando isso? ”

“Apenas responda à pergunta, Itachi.”

“Claro que já chorei.”

“E quando foi a última vez?”

“A muito tempo.”

Kakashi suspirou e encarou Itachi com aquele único olho.

“Você precisa chorar as vezes, Itachi.”

Eu não posso ser fraco, Taichō. Se eu demonstrar fraqueza Sasuke vai arcar com as consequências, tenho que ser forte pelo clã, pela aldeia, por Shisui


Sangue manchava o complexo, Sasuke ainda não tinha voltado da escola.

Corpos cortados enchiam as ruas, ao longe Itachi podia ouvir gritos e vidros e paredes quebrando. Madara estava fazendo sua parte, pelo menos.

Estava silencioso demais.

Tinha sangue demais.

Muitos gritos de dor, de tristeza.

Traição impressa no olhar de vários mortos.

Vermelho era tudo que ele podia ver.

Isso não deveria terminar assim

Eu causei o terror, eu sei disso, então pare de me lembrar

Sasuke chegou no complexo.

Apenas pare

Itachi sentiu Sasuke vendo tudo.

Eu matei nossos pais me desculpe me desculpe

Olhos vermelhos encaram o garoto.

Sharingan girando, o mundo de Sasuke quebrou.

Me odeie por tudo

Eu sou o culpado de toda sua dor, de toda a dor de nosso clã

Me mate

Vou te esperar para me libertar, Sasuke. Apenas você pode fazer isso

Ainda estou preso

Notes:

desculpa pela angustia, nem estava no meu planejamento e então simplesmente apareceu e eu fiquei "hm isso não era para ser assim"
provavelmente vou voltar mais tarde e dar uma pequena revisada, enfim uma pergunta para vocês: se o Itachi tiver um companheiro, quem vocês quererem que seja?

Chapter 3: caminhos de irmãos

Summary:

Itachi acorda, analisa tudo que aconteceu e dorme. Ele também se lembra de Shisui (e temos outro dois povs)

Notes:

esse cap deveria ter sido postado dia 18 de JULHO mas eu tive uma epifania e decidi adicionar mais coisas só pra depois passar por um bloqueio criativo gigante e decidir deixar as adições pro próximo capitulo. então aqui está o capitulo 3 vários meses atrasado

aproveite

tw: ataque de pânico, pensamentos suicidas, menção ao suicidio

musica do capitulo: I have seen much

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

O primeiro aprendizado que Butsuma passou para seus filhos foi: odeie os Uchihas. Eles são monstros que matam os Senjus, monstros que mataram tanto que seus olhos ficaram vermelhos sangue.

Tobirama sempre teve um pé atrás, Butsuma nunca foi muito centrado. Acreditar que seus inimigos eram tais monstros parecia errado, afinal os Uchihas não foram os únicos que mataram.

Então Kawarama morreu e um tempo depois foi Itama.

Ele se lembrava daqueles dias o tempo todo. Ele esteve lá , nas duas vezes e sentiu o chakra indo embora.

Kawarama perfurado por um doton, Itama sangrando numa pedra cheio cortes

Odiar os Uchihas e vê-los como monstros não foi difícil depois disso.

Mas agora, com Izuna e Madara praticamente vibrando de preocupação por causa de um Uchiha que eles nem conheciam, era difícil olha-los como outra coisa além de humanos.

Tobirama sentiu a angústia no chakra do desconhecido e pensou que talvez a paz não fosse um sonho impossível. Ele viu o cansaço nos dois Uchihas e achou que uma aldeia poderia resolver tudo.

Ele suspirou com a proteção em excesso dos Uchihas e se mudou para longe do desconhecido, deixando Izuna e Madara se acalmarem.

Tobirama focou seu olhar em um Hashirama inquieto, “Anija, precisamos conversar.”

“Sim, claro.”

Os dois saíram da tentativa feita com o mokuton de Hashirama e caminharam um pouco.

“Você realmente vai propor a paz novamente?” Ele perguntou, uma carranca cruzando suas feições.

Apesar do que muitos achavam, Tobirama não era contra a paz. Ele nutria o mesmo desejo de Hashirama e Madara pela paz, talvez até maior. Ele apenas não era tão otimista como seu irmão, ele via a verdade pelo que era e sabia muito bem que os sonhos de Hashirama não seriam alcançados apenas porque os Uchihas e Senjus pararam de brigar.

Tobirama era realista demais para acreditar em algo tão frágil como um acordo verbal.

Então durante anos, todas as vezes em que o Uchiha recusava a proposta de paz de Hashirama, ele voltava para o seu quarto com planos e mais planos na cabeça para diferentes acordos com diferentes clãs, projetos e mais projetos para uma aldeia que conseguiria se sustentar.

Ele se preparou para qualquer proposta que outros clãs poderiam fazer, ele estudou a cultura de todos os clãs no país do fogo, fez contraproposta em cima de contraproposta.

Ele era muitas coisas, um assassino, um cientista, um mestre do selo, um comandante, mas principalmente, Tobirama era um irmão que amava sua família profundamente. Se Hashirama sonhava com uma aldeia onde crianças não iam para a guerra, Tobirama faria de tudo para realizar o sonho de Hashirama até mesmo cuidar de um Uchiha.

“Claro que sim, Tobira! Podemos finalmente ter paz, não vou perder essa chance.” Hashirama respondeu com seu costumeiro sorriso, mas seus olhos estavam sérios.

Bem, pelo menos ele podia contar com seu irmão sabendo manter a seriedade de vez em quando e não sendo apenas o sol radiante que ele era.

“Certo. Vamos cuidar desse Uchiha logo, com sorte Madara e Izuna vão ter conseguido acalmá-lo.”

 


 

Itachi acordou, mas não abriu os olhos. As memórias do que aconteceu depois da sua luta contra Sasuke e antes dele desmaiar estavam nubladas e parecia que seu cérebro estava tentando mantê-las longe dele, como se os acontecimentos recentes fossem um trauma que Itachi não queria lembrar inconscientemente.

Ele sabia que estava vivo de alguma forma mesmo que ele não quisesse estar e que ainda estava sofrendo dos ferimentos por causa da sua última batalha. Fora isso Itachi realmente não conseguia se lembrar de nada.

Claro, Itachi conseguia se lembrar dos sonhos ou seria pesadelos? Talvez mais uma recapitulação do seu passado e do que o fez chegar até onde estava? Bem, o que quer que fosse não importava, Itachi sabia o que tinha feito, ele não precisava se lembrar disso.

Então, como sempre, Itachi apenas empurrou tudo isso para o fundo da sua mente, deixando junto de todas as dúvidas e sentimentos que às vezes voltavam para assombrar.

Ele se sentia exausto.

Era normal se sentir cansado, mas dessa vez parecia diferente, como se Itachi tivesse chegado ao fim do dia e estava pronto para dormir e então alguém chega apenas para contar que tem algo para ele fazer urgentemente. Itachi tinha chegado no fim e estava pronto para descansar apenas para ter isso arrancado dele de alguma forma.

Esse pensamento atormentou Itachi. Foi tanto trabalho tantas pessoas mortas em sua mão para proteger Konoha, tantos planos para chegar até onde chegou, para encontrar o penhasco do rio naka novamente e dessa vez ele que pularia para as águas turvas.

E agora tudo se foi.

Seu trabalho de anos tantas torturas, tantas lagrimas para guiar Sasuke até ele foi infrutífero, inútil.

Ele deveria estar morto, ele queria estar e merecia.

Entretanto, aqui estava ele respirando, vivendo.

Onde tudo deu errado?

Itachi reprimiu um suspiro, ele sabia a resposta para essa pergunta há muito tempo, mas sua mente parecia gostar de torturá-lo com esse e outros pensamentos.

Seu mundo era quebrado, não tinha um certo ou um errado definido e tudo era justificado pela proteção da aldeia, do clã. As guerras eram algo normal, os assassinatos também.

O trauma também, ele supôs, não que o hokage ou algum dos conselheiros se importassem.

(Ele duvidava que alguma vez o hokage se importou com isso. Que Hiruzen alguma vez percebeu o peso que acabava colocando em seus shinobis com suas ordens, que a frase perfurada desde a academia complete a missão mesmo que custe sua vida era uma assombração que pairava em cima de todos os shinobis)

Ele era um pacifista, mas não era idiota. Ele seguia as ordens para manter seu clã vivo, para conseguir que o desprezo e o medo para com os Uchihas acabassem, para que seu irmãozinho, seu Sasuke, não precisasse viver olhando por cima do ombro.

E olhe onde ele chegou.

Um clã inteiro morto com sua ajuda, seu irmão sozinho nas mãos de Konoha como a última linhagem do Uchiha.

Itachi sabia há muito tempo que fez tudo aquilo para nada, mas era um caminho sem volta e não adiantava chorar com o que poderia ter sido se as coisas fossem ligeiramente diferentes, não adiantava se arrepender por ter feito tudo aquilo.

Mesmo que ele não chegasse a realmente se sentir arrependido

Ele aceitou as consequências do que fez e se deixou transformar no que ele deveria ser para fazer aquilo.

Ele aceitou o papel de traidor, de arrogante, um ego muito grande e fez o que deveria fazer. Itachi torturou seu irmão cada vez que o via, o induziu ao ódio porque sabia que Sasuke era muito inteligente quando estava calmo, que ele veria através de suas mentiras se não estivesse cego pela raiva.

E tudo isso tinha um proposito, porque se Itachi não conseguia cumprir sua promessa com Shisui, se ele não conseguia manter a honra dos Uchihas, ele faria de tudo para que Sasuke pelo menos conseguisse recuperar a honra do clã o matando.

E talvez, talvez ele fosse um idiota por colocar todos seus erros em cima de Sasuke, pedindo que seu irmãozinho resolvesse os problemas que ele causou.

Mas ele apenas não tinha forças para enfrentar tudo isso. Do mesmo jeito que sua lealdade para com Konoha diminuiu durante todos aqueles anos, sua vontade de viver e consertar as coisas se apagou como uma vela no meio de uma tempestade.

Itachi queria paz, ele queria descanso e não ter mais sangue em suas mãos.

Ele queria se afogar no rio naka igual Shisui.

Por que nunca posso ter o que quero?

 


 

Não era preciso muito esforço para Izuna saber porque seu irmão estava tão feliz assim, claro que Madara estava sonhando com planos para um tratado de paz com os Senjus e, considerando que eles ajudaram o Uchiha quando era inimigos, não iria ser tão difícil para alcançar os mais novos.

Infelizmente, Izuna não podia fazer muito nesse departamento, Madara não iria mudar de ideia.

O problema não era Madara, ele era o chefe do clã e iria escolher a melhor coisa para o clã, se isso acabasse se aliando com o desejo de paz que ele tanto queria seria apenas mais um bônus, Izuna pensava. Mesmo que Izuna nunca chegasse a concordar com essa ideia, Madara seguiria em frente mesmo assim pela paz.

A real questão era como o clã reagiria como um todo.

Haveria uma divisão severa entre os mais novos que conseguiam ver um futuro sem sangue e desejavam por isso e os mais velhos que estavam tão cheios de ódio pelos Senjus que procurariam um plano oculto que poderia nem existir.

Seria uma divisão horrível que Madara nem poderia começar a lidar, porque, apesar dele ter uma grande voz e ser quase tão bem conectado quanto Izuna, ele estaria muito ocupado iniciando uma discussão enorme com os anciões.

Então Izuna seria forçado a lidar com isso antes que acontecesse e ele estava quase desejando matar seu irmão.

De onde Madara tirou que os Senjus, de todos os clãs, poderiam ser confiáveis?

Para piorar, Izuna nem poderia reclamar com Hikaku, porque o merdinha era absolutamente leal à Madara e seguiria qualquer plano idiota que o chefe do clã propusesse.

Ele adoraria ter uma conversa sozinho com Madara para colocar algum sentido naquela cabeça de merda, mas seu irmão estava ocupado demais sonhando acordado com a paz que Hashirama poderia propor.

Izuna suspirou fundo, segurando seus cabelos à um passo de surtar completamente. Talvez se ele batesse sua cabeça com força suficiente na mesa-

Foi então que alguém entrou, mas Izuna nem desperdiçou forças para levantar a cabeça e encarar o culpado desrespeitoso.

“Izuna, precisamos conversar.” Hikaku era um secretário perfeito, como Izuna gostava de o chamar, sempre seguindo as ordens de Madara e fazendo de tudo para irritar Izuna com mais e mais trabalho. Por isso ele era o melhor amigo de seu irmão.

Por isso também que ele nunca respeitava o espaço de trabalho de Izuna, sempre entrando sem avisar como se o lugar fosse dele, como se Hikaku fosse seu irmão.

“Hn.” Ele não precisava perguntar para saber o que Hikaku queria, era obvio que ele tentaria o convencer a-

“Você precisa convencer seu irmão a não fazer uma aliança com os Senjus.”

Sua cabeça chicoteou para encarar os olhos castanhos de seu primo, ele parecia calmo, mas Izuna conseguia ver o pequeno sorriso irritante no rosto de Hikaku por conseguir uma reação de surpresa de Izuna.

Irritado, ele educou suas expressões para algo mais sério e arrumou seu cabelo que tinha bagunçado a poucos segundos.

Você quer que eu convença Madara a desistir da paz?” Um pequeno pontinho de esperança cresceu em seu peito, será que Hikaku finalmente viu a luz?

“Claro que não.” Merda. “Você sabe que o clã não vai aceitar a aliança tão de repente assim, mas Madara também não vai desistir agora que ele tem a chance.”

“E você quer que eu o convença a ir mais devagar, porque ele consideraria o que eu tenha a dizer.” Ele ditou presunçosamente.

“Então? Você irá-”

“Te ajudar? Mas é claro que vou, Hikaku. Tudo-”

“Eu não pedi sua ajuda.”

“Não com todas as palavras, mas eu sei que você não conseguiria fazer isso sem mim. E é claro que eu não deixaria um primo para enfrentar tais muros sozinho.”

“Tem como você parar de ser tão dramático, Izuna?”

“Não. Agora me deixe em paz para planejar isso.”

Foi apenas quando Hikaku saiu com um sorriso triunfante que Izuna percebeu a merda que tinha se metido, ele tinha se comprometido com os ideais de Madara indiretamente por causa daquela peste chamada Hikaku.

Eu vou mata-lo.

Ele nem poderia voltar atrás agora, se isso acontecesse, Hikaku iria passar o resto de sua vida enchendo o saco de Izuna por não ter conseguido ajudar um primo depois de todo o drama que ele fez.

Izuna vai ter que arrumar um jeito de resolver essa situação e rápido antes que Madara fizesse a maior merda da vida deles.

Infelizmente, conseguir um momento sozinho com Madara se provou difícil, já que ambos estavam ocupados demais com o ferido e as responsabilidades do clã para terem uma conversa. Pelo menos isso significava que Madara também não tinha tempo para ouvir os sonhos malucos de Senju Hashirama.

Foi apenas três dias depois que Izuna conseguiu.

Ele tinha visto Madara saindo da floresta e, ao invés de virar à esquerda e entrar na cabana onde o Uchiha ferido estava, seguindo reto para cruzar o rio e encontrar Hashirama que esperava do outro lado.

Naquele momento Izuna agiu.

“Nii-san, podemos conversar?” Ele viu Madara olhando para Hashirama antes de focar a atenção nele e teve que conter um suspiro. “Vai ser rápido.”

Izuna nem deu chance para Madara hesitar mais uma vez, ele segurou o pulso do irmão e o puxou para a longe do rio.

“Nii-san, você não vai propor nenhum tratado de paz.” Ele começou sem nenhum drama, querendo tirar esse problema do caminho o mais rápido possível.

“O que.”

“Se você fizer isso vai dividir no clã-”

“Izuna-”

“Me escute, certo? Os anciões não gostam muito de você desde sempre, mas se você propor paz com nossos inimigos de gerações eles vão realmente tentar tirar você da sua posição. E provavelmente não vai ser tão demorado, já que metade do clã vai estar do lado deles.”

“O que eu deveria fazer então, Izuna?” Ele perguntou rudemente, se fosse qualquer outra pessoa ali Izuna sabia que Madara teria rosnado em resposta antes de ir embora.

E é por isso que Hikaku me quis aqui.

“Vá com calma.” Ele respondeu com um encolher de ombros, era o caminho mais lógico a se seguir, um que Madara veria se não estivesse tão concentrado em Hashirama. “Comece com um cessar fogo e talvez, quando o ferido não estiver mais dependendo dos Senjus para sobreviver, evolua para um acordo de comercio ou algo assim.”

Madara ponderou por alguns segundos, “Certo, vamos fazer do seu jeito.” Ele se virou pronto para voltar ao rio, mas parou antes mesmo de começar, sua testa estava franzida enquanto encarava Izuna. “Estou surpreso que você tenha concordado com uma aliança com os Senjus.”

“Eu nunca concordarei com algo assim, nii-san. Não importa o que aconteça, os Senjus não são confiáveis.” Izuna decretou com os braços cruzados, “Mas eu sei que isso não irá te impedir de realizar seu maldito sonho, então eu prefiro que seja de um jeito que não separe nosso clã em dois.”

Foi Izuna quem saiu primeiro, não querendo ficar nem mais um segundo com aquele sorriso arrogante de Madara que dizia saber de tudo o que aconteceu. Era por isso que Izuna preferia Hinoki à Hikaku e Madara em qualquer dia da semana, ela sim sabia ser alguém legal.

 


 

Voltar a consciência pela segunda vez foi mais difícil que a primeira. A fadiga empurrava suas pálpebras a permanecerem fechadas, as dores se expandiam por todo seu corpo como se ele tivesse passado dias preso no Tsukuyomi sendo torturado e suas reservas de chakra continuavam menores que a de um civil.

Ele sentia bandagens em todos os ferimentos, até mesmo envolta dos olhos, mas não conseguia se importar devidamente quando as memórias estavam bagunçadas e se mesclando num mar de diversas emoções que ele não queria lidar.

Seus sentidos estavam uma bagunça, ele podia sentir presenças ao seu redor e vozes, mas sua mente estava tão sobrecarregada absorvendo e registrando as informações novas e antigas que nem tinha como Itachi se sintonizar com o que as vozes falavam.

Itachi tinha que começar a organizar seu cérebro, ele sabia disso, catalogar as informações importantes e guardar as que poderiam ser úteis mais tarde, jogar as emoções em algum canto esquecido para nunca mais ter que lidar com elas e entrar na mentalidade shinobi em missão novamente.

Uma pequena parte dele não queria, mas Itachi sabia que era o melhor para si. Então ele silenciou aquela pequena voz e deslizou para a mentalidade shinobi.

Ele começou a analisar as informações úteis e ao mesmo tempo a descartar as inúteis junto com as emoções.

Demorou algum tempo para nas informações que estava sendo registradas no momento, mas assim que Itachi conseguiu ele teve que se segurar para não mostrar nenhuma reação e chamar atenção para si mesmo.

“Não se atreva a colocar esse selo.” Alguém rosnou.

“É uma medida de segurança.” Uma segunda voz respondeu friamente.

“Oh sim? E qual é o próximo passo? Jogá-lo numa cela e tortura-lo para conseguir informações?” A primeira voz rebateu com sarcasmo.

“Você não pode me impedir, Uchiha.”

Um farfalhar de roupas e um leve assovio, “Mantenha suas patas sujas para si, Senju.”

Notes:

itachi: *é inundado por sentimentos, duvidas e lembranças* sim, não estou lidando com isso hoje
itachi também: *recapitulando todo o caminho que o fez chegar até ali*
alguém ajude o pobre garoto a ser um humano normal pelo amor de deus

Chapter 4: talvez um sonho, talvez um pesadelo

Summary:

Itachi se desespera.

Notes:

Eu vou voltei depois de meses🥳🥳 palmas pra mim
tiveram mudanças nos caps anteriores ent se você leu eles antes de terem titulos aconselho a lê-los novamente
boa leitura para todos e leiam as notas finais (se quiserem)

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Sua concentração se quebrou, nenhuma informação parecia importante diante daqueles dois nomes.

Ele tinha ouvido certo? Um Senju e um Uchiha?

Era impossível, tinha que ser uma mentira.

Os dois clãs estavam praticamente mortos. Tsunade-hime não parecia querer reconstruir o nome Senju e Sasuke... bem, Sasuke era uma criança, ele não deveria se preocupar com coisas como ter um filho. Além disso, esses dois desconhecidos estavam agindo estranho demais, era muito ódio dirigido para alguém de um clã aliado. Esse ódio só acontecia na era dos clãs combatentes ou durante uma guerra entre aldeias, não em uma época de paz como agora.

(Ele não vai nem considerar aquele louco que diz ser Madara.)

Itachi tinha uma suposição que fazia sentido e, mesmo sendo altamente improvável, ele estava inclinado a acreditar nisso.

Ele sabia que alguns jutsus mexiam com a realidade e a distorcia, seu Tsukuyomi, algumas técnicas secretas Uchihas e alguns jutsus do Nidaime eram provas disso, mas ele nunca tinha ouvido falar em um que alterasse tanto assim.

E Ainda, pensar que algo assim tinha acontecido com ele de todas as pessoas que mereciam mais do que ele... era difícil de engolir.

Ele precisava de mais provas para ter certeza, uma resposta que respondesse todas as perguntas, uma que fizesse sentido.

“Chega.” Uma voz diferente das outras duas, um pouco mais calma, ordenou.

Itachi quebrou sua linha de pensamento atual e se focou em outras questões mais importantes. Com o seu foco de volta para a conversa graças a voz calma ele começou a guardar as informações e a ler o ambiente da sala e as pessoas que estavam no quarto.

A sala estava tensa, do tipo de inimigos se encarando antes de uma luta, nenhum barulho podia ser ouvido nem mesmo a respiração dos outros. As quatro presenças eram claramente shinobis.

“Anija-”

“Vamos conversar lá fora, Tobira.” Itachi ouviu o leve som de passos se distanciando antes de tudo ficar em completo silencio novamente.

Com a saída dos dois, o ar ficou mais leve e mais caloroso, ele podia sentir a tensão dos outros dois se dissipando agora que não tinha mais uma briga acontecendo. Então não eram apenas um Senju e um Uchiha, mas sim dois de cada clã... Isso era quase uma confirmação de viagem dimensional e só deixava Itachi mais alarmado com várias novas perguntas.

“Ainda vou matar esse Senju.”

Um suspiro pesado e Itachi sentiu alguém se aproximando e se inclinando sobre ele. “Você está acordado.” Uma voz áspera falou.

Itachi não falou de imediato, ele ainda estava fazendo uma história de fundo, já que ninguém o reconhecia e ele não poderia dizer a verdade mais uma vez se escondendo mentindo fugindo um traidor assassino patricida criminoso medroso.

Porém sua história também teria que ser crível para o momento e o lugar onde ele estava e esse era sua maior dificuldade porque ele ainda não sabia o que tinha acontecido, qual era a história desse tempo, o que acontecia naquele lugar.

Ele estava totalmente no escuro agora, sem nenhuma informação que ele pudesse usar na história dele, Itachi não tinha muito material para usar. Talvez dizer que cresceu fora do clã fosse a melhor opção, porque ele não poderia dizer que não se lembrava e era até um certo ponto verdade.

Afinal não existia mais um clã para cresceu com

“Os Senjus saíram, você pode falar.” A mesma voz áspera continuou, Itachi tentou se levantar, mas foi impedido por braços fortes que empurraram seus ombros para baixo. “Você deve permanecer deitado, seus ferimentos foram graves o suficiente para usar a cura Senju.”

Itachi não escondeu a surpresa, era quase impossível um Uchiha admitir sua incapacidade para alguém do clã, aceitar a ajuda de um clã inimigo por gerações por causa da incapacidade de salvar um Uchiha? Isso era impossível em qualquer dimensão.

Mas espere- ele foi curado por um Senju? Quando que um Senju ficou sabendo do estado dele?  “...Senjus?” Ele tinha que se lembrar, em qual momento um Senju teve a oportunidade de o examinar e propor uma cura? Itachi sabia que tinha parado no meio de uma batalha, ele se lembrava de ver os borrões costumeiros de pessoas muito próximas uma das outras e muito rápidas de um jeito que só poderia ser uma luta-

“Estávamos em uma escaramuça-”

Então era uma batalha contra os Senjus. E ele foi curado por um depois que a cura do clã não funcionou. Curado por um desconhecido e Itachi só acordou uma vez... algo deve ter acontecido com ele, tinha que ser, ainda mais para ficar por, espere- “Há quanto tempo?!”

“...O que?”

“Há quanto tempo eu estou desacordado?!” Itachi se levantou tenso, ele não podia se permitir continuar indefeso assim nem por mais um segundo. Ele virou o corpo, seus pés tocando o chão. Ele esperava que não fosse muito tempo, não seria aceitável ficar fora por dias para um shinobi, para um como Itachi então, era o cumulo alguém prodígio assim se deixar perder a consciência. Suas mãos se apoiaram nas raízes e ele empurrou. O tanto de perigo que ele devia ter corrido enquanto estava nesse estado, pior tantas ameaças próximas dele e ele sequer acordou, mesmo com um chakra desconhecido-

“Dez dias.”

Ele parou.

“...Como...” Como sequer algo assim aconteceu. Dez dias. Ele ficou desacordado por dez dias, recebendo tratamento desconhecido, rodeado de pessoas- de shinobis desconhecidos e mesmo assim ele não acordou? Como? Como ele pôde deixar isso acontecer? Foi apenas uma luta com Sasuke e ele fez um tratamento de primeiros socorros então como-

...A luta cobrou mais de Itachi do que ele tinha achado?

Não isso era impossível, ele tinha planejado cada passo, cada detalhe por meses, tudo tinha sido planejado perfeitamente e tudo saiu de acordo-

 

 

Não. Não tinha saído conforme o plano.

Afinal Itachi estava vivo, não estava?

Ele sentiu alguém se aproximando, “Você estava usando inconscientemente seu chakra nos pulmões e nos olhos, por causa disso sua reserva de chakra estava praticamente vazia. Se isso continuasse por algumas horas, você teria morrido.” Ele virou a cabeça na direção da voz, a mesma que tinha ouvido antes.

Duas pessoas tinham acabado de entrar e ele podia sentir que eram as mesmas que tinham saído antes, os dois Senjus. Não tinha sido pelo chakra, já que Itachi não era um sensor e nem conseguia reconhecer uma assinatura na primeira vez que a sentia, e sim pela tensão na sala que se formou novamente assim que eles voltaram.

Ele ouviu um dos Uchihas dar um passo para frente, parando o avanço do outro Senju e, mesmo não podendo ver, Itachi sabia que eram os dois que estavam se enfrentando há algum tempo atrás.

Essa proteção era... desconfortável. Itachi não os conhecia, ele não tinha crescido com eles e muito menos sabia onde estava e mesmo assim esses Uchihas o estavam protegendo como se fosse normal, como se ele fosse realmente alguém do clã.

Claro, teve um tempo em que a proteção não era algo ruim e sim algo esperado, mas aquele tempo estava há uma vida atrás.

Ele respirou fundo, descartando seus pensamentos, não seria útil lembrar do passado mais uma vez. “Quem são vocês?” Itachi perguntou, virando a cabeça em direção de cada um para deixar claro que se referia a todos.

Ele sabia que perguntar provavelmente os deixaria alertas, mas era importante demais para deixar de lado.

O silêncio se prolongou por tempo suficiente para Itachi começar a considerar formas de fugir de onde quer que ele estava, os quatro estava, sem dúvidas, conversando em sinais ou lendo lábios, já que Itachi não ouvia nenhuma palavra, sobre a melhor forma de conseguir todas as informações dele.

Ele não conseguia usar seus olhos e duvidava que tinha chakra suficiente para convocar corvos e fazer uma substituição. E ele se conhecia o suficiente para saber que não conseguiria enfrentar os quatro de uma vez no seu estado atual...

Era isso. Ele não precisava sair vivo, ele não queria, então tudo que precisava fazer era atacar algum deles e esperar para ser morto durante a luta.

 Apenas um ataque e tudo acabaria, sem mais memórias o consumindo toda noite e escolhas para se fazer.

Itachi se levantou totalmente dessa vez, sua respiração estava pesada e entrecortada, seus pulmões doíam, suas pernas tremiam e seu coração batia freneticamente.

Sua mão não se movia.

Por que?

 

“...Você sabe o que é mais importante, Itachi?”

“Completar a missão a qualquer custo.”

“O que?! Não! Você voltar vivo é o mais importante, seu idiota!”

 

Ele não podia fazer.

Ele não conseguia fazer isso.

Viver era sua punição?


Tiveram perguntas principalmente dos Senjus. O nome dele, como ele chegou até aquela escaramuça, porque nunca viram ele nem ouviram falar dele, seus pais, porque ele cresceu longe do clã, quem o ensinou os jutsus e tudo mais.

Foi um interrogatório completo e Itachi respondeu às perguntas que não envolviam informações cruciais ou qualquer coisa sobre o seu passado, o que era praticamente nenhuma.

Não que ele ligava para isso, ele realmente não queria estar lá ou indo para o composto do clã Uchiha, seu clã porque apesar de qualquer mentira que ele proferisse, nenhuma poderia esconder que ele tinha um Sharingan e que poderia ativá-lo quando quisesse.

Não que ele tivesse alguma voz nisso, também. Já que seu médico, um Senju, e seu chefe de clã discutiram com quem ele deveria ficar por um longo tempo até que o outro Senju apontou com desgosto que seria melhor para um Uchiha ficar com a laia dele.

E agora Itachi estava se aproximando de um clã inteiro que ele não conhecia com um deles ao seu lado vibrando de felicidade enquanto arrastava Itachi pela mão.

Ele respirou fundo assim que Izuna parou, o farfalhar das folhas e a leve brisa cheia de chakra era familiar e ao mesmo tempo não. Uma voz grave gritou e então o som do portão sendo empurrado ecoou pela floresta.

Itachi cravou os pés no chão, ele não estava pronto para isso, enfrentar um interrogatório de dois Senjus e dois Uchihas era administrável, fácil de lidar quando ele tinha apenas que ocultar e omitir informações.

Mas isso. Enfrentar um clã inteiro de chamas brilhantes e calorosas, um que sem duvida estaria mais que pronto para o abraçar e proteger suas costas como se fosse algo natural-

Não, ele não podia fazer isso.

Ele preferia ir com os Senjus e enfrentar o ódio deles do que o cuidado incondicional que irá receber assim que colocar um dedo dentro do composto.

Shisui poderia lidar com isso melhor do que eu.

Notes:

primeiro eu quero agradecer a todos os kudos, comentarios e bookmarks, eu provavelmente iria deixar de lado se não fosse por vocês me apoiando, tbm obg pra quem ainda se lembra dessa fic
segundo que eu estive sumido por um longo tempo (7 meses eu acho) e que muitas coisas pessoais aconteceram durante esse tempo. Perdi amizades de longa data e também animais de estimação que estavam comigo por vários anos, tive várias crises de ansiedade

além do mais eu n tenho um cronograma de atualização obviamente, ent o proximo cap pode sair daqui a dias ou meses eu realmente n consigo me programar direito para isso

Chapter 5: um passo mais perto

Summary:

Assuntos de clã, uma conversa nenhum pouco agradável com Tobirama e várias respostas vazias.

Notes:

ok então eu percebi que todos os capitulos (exceto o primeiro) tiveram pelos menos dois povs diferentes... não era meu plano inicial realmente, mas esses três simplesmente apareceram e quando eu percebi estava escrevendo um pov deles (Hashirama é o unico que não tem um pov ainda)
Os proximos caps vou tentar focar mais no lado do Itachi já que finalmente teremos ele acordado e consciente por mais de poucas horas
Chegamos a 128 Kudos!! quando tive essa ideia nunca achei que ia chegar a tudo isso, muito obrigado a todos! Também, eu posso não responder os comentários porque eu sinceramente acabo esquecendo mas! Eu leio eles, juro, e saber que a barreira linguística não é um problema me deixa muito feliz!
Feliz natal e ano novo adiantado a todos!
espero que aproveitem o cap<3

Apenas pra deixar claro, Tachi ficou em coma/desacordado por +/- 2 semanas

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Era mais um dia comum para Madara.

Ele se levantou de um sono de três horas para pilhas e pilhas inacabadas de relatórios e assuntos do clã. Metade dos relatórios era de missões que ele calmamente deixou em um canto para ser entregue para Izuna depois, a outra metade que era a parte complicada e envolvia política, então ele teve que ler com máxima atenção.

Teve algum problema com um clã aliado e eles não poderiam cumprir totalmente a parte do acordo estipulado a décadas atrás para esse mês, ele não se preocupou muito com isso. O Ginkawa era responsável por quase metade das rações e, em qualquer outro momento, essa perda seria drástica para as provisões do clã.

Felizmente, o inverno estava longe e ele teria mais civis caçando para diminuir o prejuízo. Claro, ele ainda não poderia deixar o Ginkawa impune disso, então ele escreveu uma missiva longa mandando seus cumprimentos respeitosamente e deixou claro que esperava uma compensação no mês que vem para cobrir o pouco que recebeu.

Depois disso, Madara passou horas respondendo e lendo cartas de outros clãs.

Foram dez missivas lidas pelos menos três vezes antes de responder e deixar na mesa de Izuna para ele ler e reescrevê-las novamente porque sua letra era mais elegante e adequada para a correspondência entre clãs.

Não que ele se importasse com isso, mais trabalho para Izuna era merecido já que ele não voltava para casa desde a conversa no rio.

Não por causa de uma missão, seria muito bom se fosse, mas sim porque desde aquele dia Izuna não saiu de lá, mesmo quando Hikaku tentou o arrastar de volta para seus deveres.

Izuna estava fazendo birra, Madara sabia, e não iria parar até conseguir o que queria.

Ele olhou para a mesa cheia do outro lado e soltou um suspiro. Os relatórios não iriam se fazer sozinhos e, por mais que Hikaku seja uma grande ajuda, ele tinha suas próprias tarefas sobrecarregadas para lidar.

Alguém sempre teve que ceder no clã para as coisas acontecerem, afinal.

.

Izuna estava na borda da floresta encarando a outra margem, como o esperado, e Madara teve que reprimir um suspiro.

Seu irmão realmente sabia como conseguir o que queria, ele fazia isso na infância também com seus pais e os outros do clã, conseguindo doces escondidos do pai deles ou que um dos irmãos não fossem para uma missão numa noite.

Madara podia ser o chefe do clã, mas ele sabia que seria nada sem Izuna tecendo suas palavras para os anciões e os outros clãs.

“Você deveria ir para casa, Izuna.” Ele falou assim que chegou ao lado do irmão. Era obvio que Izuna passou todo o tempo com o Sharingan ativo e estava sofrendo de exaustão de chakra, o idiota achando que poderia esconder isso. “Cuide melhor de si mesmo.” Madara estendeu a mão, passando pela fina linha de sangue escorrendo pela bochecha dele.

“E quem ficaria aqui vigiando os Senjus? Hikaku está ocupado e você também.”

“Eu vou ficar aqui.” Izuna levantou uma sobrancelha de descrença, pronto para questionar, “Os deveres podem esperar, o clã é mais importante que algumas missivas.”

“Você está abandonando sua responsabilidade por alguém desconhecido?”

“Por um Uchiha, Izu. E por você também, está obvio que você se preocupa demais com a segurança dele.” Sua mão pousou no cabelo de Izuna, bagunçando levemente, “Além do mais, cuidar do clã é a minha responsabilidade.”

Madara empurrou levemente seu irmão para dentro da floresta, “Então vá para casa. Durma um pouco e depois faça seu trabalho.”

Ele cravou os pés na borda da floresta, jogando seu peso para trás, suas costas bateram no peito de Madara que grunhiu, “... trabalho?”

“Trabalho. Os relatórios de missões não vão ser lidos sozinhos, nem as missivas que escrevi.”

“Nii-san, você podia ter passado para outra pessoa!” Seu irmão gritou irritado e Madara abriu um sorriso malicioso.

“Como chefe do clã é meu dever garantir que todos cumpram suas responsabilidades.” Ele pontuou, “E eu já te mimei demais.”

Izuna se virou totalmente e encarou Madara com raiva, ainda assim, Madara conseguia ver a tensão diminuindo com a brincadeira de costume.

Ele abriu a boca pronto para gritar mais com o outro, mas fechou rapidamente. “Eu não fui mimado.” Ele resmungou com os braços cruzados sob o peito, um beicinho se formando.

Madara bufou, “Sim, sim. O que você quiser, otouto.” Ele bagunçou o cabelo de Izuna novamente.

O beicinho de Izuna se aprofundou com o gesto, seus olhos desviaram para a floresta novamente e brilharam. Quase com petulância, ele sussurrou, “Velho.”

O braço de Madara tremeu e ele sabia que Izuna sentiu isso, um sorriso floresceu no rosto do irmão quando ele olhou para a expressão constipada de Madara e então repetiu mais alto.

A expressão de Madara escureceu e ele teve que respirar profundamente e fechar os olhos para não jogar Izuna longe, suas mãos pousaram nos ombros do irmão com um aperto ameaçador. “Um banho de água fria. É disso que você precisa.”


O Uchiha estava dormindo tranquilamente quando ele entrou, longe de toda a agitação e os gritos que Madara tinha presenciado todas as outras vezes.

Era assustador como ele se mantinha imóvel, nenhuma contração de lábios como se estivesse em um sonho bom ou uma mudança de posição, ele estava lá igual a ultima vez que Madara o viu: deitado de barriga para cima com os braços ao lado do corpo.

A única coisa que impedia Madara de concluir que o homem tinha morrido era seu peito constantemente subindo e descendo, além da pequena reserva de chakra que aumentava lentamente.

Ele desviou o olhar e encarou o teto. As coisas seriam mais fáceis com um acordo de paz, ele sabia, mas Izuna estava certo, nenhum Uchiha aceitaria tão facilmente ou rápido assim.

Seria um longo caminho para conseguir convencer o clã a aceitar a paz proposta pelo Senju e Madara não estava nenhum pouco ansioso para as horas e horas que teria que passar com os anciões ou qualquer outro que rejeitava a paz, felizmente ele iria deixar esses problemas com Izuna.

Ele suspirou e encarou o Uchiha mais uma vez, as coisas mudariam agora, com sorte para melhor, e tudo seria por causa desse desconhecido. Mesmo que fosse gradual ele já se sentia grato por poder ter a chance de um acordo de paz no horizonte sem perder mais ninguém.

Pegando os papeis que estavam espalhados no chão, Madara começou a planejar o cessar fogo. Ele exigiria a cura do ferido sem dúvidas, o homem era aquele que tinha começado tudo isso mesmo que não fosse intencional e ai de Madara deixar ele sem apoio medico devido.

Não dava para saber se o Senju iria exigir alguma coisa em troca da cura, ainda mais conhecendo o Demônio Branco, Madara não esperava que ele deixasse Hashirama concordar com a simples promessa de paz como troca.

Falando no diabo.

Madara não levantou o olhar para encarar Tobirama, fingindo manter a concentração nos papeis e não no inimigo entrando e se aproximando do ferido. Ele fez isso mais para se manter sob controle do que o foco no planejamento de cessar fogo e, apesar de todo seu esforço, ele ainda manteve a atenção no outro.

O Senju mantinha seus passos medidos, nenhum pouco pesados, mas ainda claros e audíveis, para mostrar que não tinha intenção de assassinar um deles ou algo do tipo. Ainda assim, Madara não abaixou sua guarda, era um inimigo que não mostrava misericórdia no campo de batalha e, apesar de todo o cuidado que mostrava para com o paciente, Madara não se deixaria enganar.

Depois de alguns minutos encarando profundamente Tobirama, Madara voltou sua atenção para os papeis, escrevendo e desenvolvendo ideias diferentes. Ele não era o melhor em ler pessoas como seu irmão, então ele teria que repassar para Izuna e Hikaku encontrarem brechas ou qualquer coisa que os anciões apontariam para minar a autoridade de Madara.

Seu rosto se contorceu em uma carranca com o pensamento.

Os anciões era um pé no saco, sempre desafiando as escolhas de Madara e tentando forçar a mais escaramuças quando o clã estava cansado, eles estavam velhos e constantemente achavam que Izuna deveria assumir a liderança.

Sinceramente, se Madara pudesse teria acabado com todos eles, mas infelizmente eles detinham uma grande esfera de influência no clã e, sem nenhuma prova suficiente de que eles não sugeriam as coisas pelo bem do clã, seria um tiro no próprio pé.

“Não esperava que você vivesse.” Tobirama sussurrou assim que suas mãos se afastaram do homem.

A mente de Madara deu uma torção. Ele se mexeu e em uma respiração estava na frente de Tobirama, seu sharingan girando em ameaça “O que você quer dizer, Senju?”

Tobirama não encontrou seu olhar, focando no nariz antes de estralar a língua em desgosto.

“Ele chegou muito perto de morrer. Seus ferimentos são extensos e seu chakra não cooperava com sua recuperação. Além do mais, ele não aceitou facilmente nosso chakra, por isso ele continua desacordado.” Ele respondeu imperturbável, antes de continuar em um tom mais pensativo, “Ele também está severamente doente. Duvido que ele teria sobrevivido por mais de um mês, mesmo sem esses ferimentos.”

Ele teve que lutar para conseguir aceitar as palavras do Senju sem mostrar seus pensamentos no chakra ou no rosto.

Era difícil acreditar que um shinobi, ainda mais um Uchiha, estava lutando para não se curar, lutando contra si mesmo e seu próprio instinto de sobrevivência para aceitar a morte logo. Era perigoso um pensamento assim, mas também dizia muito sobre o homem.

Um shinobi só agia desse jeito quando não tinha mais nada a perder, mas também não tinha nada a ganhar. Com qualquer coisa que poderia ter importado tão longe de seu toque, eles escolhiam a morte na lâmina inimiga, fingindo que sua morte teria algum significado.

E essa conclusão era assustadora, porque, o que esse homem teve que passar para desconsiderar sua vida? Quantas pessoas ele perdeu e quantas pessoas se recusaram a se envolver com ele?

O que o marcou tanto para não encontrar ajuda no clã?

“Quão extensos?”

“Sua iriyō-nin não te falou?”

Madara lutou ativamente contra ligar seu sharingan.

Claro que Hinoki tinha contando para ele e escrito sobre tudo que ela conseguiu examinar quando o homem apareceu, mas ela mesma tinha dito que podia ter deixado algo passar.

Ela não tinha tempo nem chakra pra fazer um exame minucioso, ainda mais com os vários feridos da escaramuça.

Ele sabia que o Senju estava tentando diminuir seu clã atacando as habilidades de cura de Hinoki e Madara não podia deixar isso acontecer, já foi ruim o suficiente aceitar ajuda de um clã inimigo.

Assim que ele foi rebater, alguém apareceu.

Cabelo castanho preso em um rabo de cavalo, roupa desgastada nas bordas e profundas olheiras.

Hinoki.

Ela estava claramente cansada e não era nenhuma surpresa, com suas pesquisas e seu trabalho como iriyō-nin, além de suas recorrentes missões curtas, qualquer um estaria a um passo de desmaiar.

Alguém devia ter a mandando, porque ela nunca gastaria o pouco tempo que tinha de descanso a menos que alguém estivesse a um passo de morrer.

E apenas duas pessoas conseguiriam afastar Hinoki de sua cama sem ser um caso de vida ou morte: Hikaku e Izuna.

Era impossível ter sido Hikaku já que ele não gostava de dar mais trabalho para a irmã, por isso só a acordava quando tinha preparado comida ou um banho quente.

Tinha que ser Izuna.

Ela entrou com um passo leve e ombros rígidos, seu rosto não demonstrava nada, mas Madara sabia que ela estava irritada.

Seus olhos pousaram diretamente sob Tobirama e seu rosto assumiu uma carranca por um segundo, antes de ser substituído por um olhar completamente profissional.

“Madara-sama.” Ela cumprimentou, se aproximando dos três.

Sua mão pousou na testa, brilhando em um vermelho pálido enquanto ela circulava seu próprio chakra pelo corpo do homem com seu sharingan ativo. Ela ficou assim por dois minutos, mantendo o controle firme.

“Ele está se recuperando.” Hinoki encontrou seus olhos com uma certa leveza, “Nenhuma fratura nas costelas, a concussão e o corte na coxa estão curadas. A queimadura e os nervos vão precisar de mais tratamento, mas não representam risco de vida. Os pulmões e os rins são os mais preocupantes no momento.” E os olhos, ela não adicionou, mas era óbvio.

“Preocupantes?”

“Seus pulmões estão cheios de feridas antigas que nunca receberam tratamento adequado e ele, provavelmente, esteve tomando medicamentos por vários anos pra sobreviver, por isso a insuficiência renal. É realmente uma surpresa ele não ter caído antes.”


Madara encarou o Uchiha sem saber o que fazer.

Era egoísmo da parte dele querer confortar o outro quando estava obvio que não seria bem-vindo, mas era difícil se segurar quando ele fez isso desde a infância e continuou mesmo com sua posição de líder do clã.

Era natural para os Uchihas cuidarem um dos outros, ainda mais mentalmente considerando todo o peso e dor que era necessário para conseguir o dom do clã. Um ombro amigo ou uma mão estendida era comum, esperado.

Mas isso era diferente. Esse Uchiha não desejava conforto como se nunca fosse algo esperado ou merecido para ele e Madara não poderia forçar o outro a aceitar com a possiblidade dele piorar suas feridas. Ele sentiu que estava indo contra seu dever como líder, deixando o outro sem apoio, mas ele precisava lembrar que a saúde física era tudo que ele podia ser responsável no momento.

“Você estava usando inconscientemente seu chakra nos pulmões e nos olhos, por causa disso sua reserva de chakra estava praticamente vazia. Se isso continuasse por algumas horas, você teria morrido.” Tobirama disse assim que entrou com Hashirama logo atrás.

Ele tentou se aproximar do desconhecido, mas Izuna deu um passo à frente, interceptando o demônio branco.

Os dois se encaram num empasse até que o homem falou, “Quem são vocês?”

Madara enrijeceu. Como alguém no país do fogo não conhecia eles? A pessoa teria que morar embaixo de uma pedra para conseguir essa proeza.

Mas então ele se lembrou, o homem não conseguia ver no momento, e não era como se todo o país do fogo conhecesse suas vozes.

Ele abriu a boca para se apresentar e dar garantias de que o clã estaria cuidando dele agora-

“Você não está em posição de fazer perguntas.” Tobirama disse e dessa vez Madara não se impediu de ativar seu sharingan.

“E você não está em posição de exercer poder aqui, Senju. Ele não é um prisioneiro seu.” Izuna rosnou, seus olhos girando agressivamente, pronto para qualquer ataque que Tobirama pudesse fazer.

“Tch.” A sala ficou tensa enquanto Izuna e o demônio branco olhavam entre si novamente.

Izuna não estava errado, o Senju não tinha nenhum poder de exigir respostas de um de seus homens e, mesmo que fossem eles que cuidaram dele, Madara não deixaria que eles fizessem o que quiser.

Mesmo assim, ele também não podia deixar seu irmão continuar com isso por mais tempo.

Ele colocou a mão no ombro de Izuna no mesmo momento que Hashirama colocou a mão no de Tobirama, os irmãos se olharam mais uma vez antes de aceitarem o comando e a tensão se dissipar.

“O seu nome, qual é?” Hashirama tomou a dianteira.

O homem ficou em silêncio como se estivesse pesando suas opções por um tempo e então disse, “Uchiha Itachi.”

Então ele sabia que era um Uchiha, o que só deixava mais questões, afinal por que ele, um Uchiha com Sharingan despertado, nunca se aproximou do clã? Nem mesmo em busca de proteção?

Madara precisava saber, “Por que nunca veio até nós?”

O hom- não, Itachi abaixou a cabeça e não respondeu, deixando o silêncio reinar como uma resposta por si só.

Ele queria perguntar mais, mas não era a hora nem o lugar ideal para isso.

Além do mais, ele precisava tirar o demônio branco da cola de Itachi e para isso nenhuma pergunta pessoal poderia ser feita.

“Como você chegou até a escaramuça?” Tobirama perguntou.

“Seguindo o rio.” Mesmo com suas palavras vazias de quaisquer emoções, parecia que Itachi estava zombando do raciocínio logico de Tobirama.

Ao seu lado, Madara ouviu um pequeno bufo.

O rosto de Tobirama continuou plano, não demonstrando nada, mas Madara sabia que, como qualquer shinobi, ele se sentiu irritado com o ataque a suas capacidades. “Contra quem você lutou?”

O silêncio reinou novamente o que causou um estralar de língua do demônio, Hashirama pousou a mão no ombro de seu irmão e olhou para Madara com uma pergunta nos olhos.

Madara conteve um suspiro antes de acenar com a cabeça, ele não estava calmo o suficiente para se manter em perguntas que não envolvessem diretamente o clã ou não dar garantias para Itachi. Ele já estava tendo que se segurar para não puxar o outro para um abraço e o enterrar em segurança e conforto, afinal.

Seria melhor que Hashirama fizesse as perguntas por enquanto.

“Porque nunca ouvimos falar de você?”

Dessa vez, ele não demorou para responder, “Não aceito missões. Na verdade, nem posso ser considerado um shinobi.”

Isso era estranho, alguém que claramente tinha os instintos e o chakra característico de um shinobi, dizendo tal coisa enquanto tinha um controle perfeito de seu chakra só mostrava o quão bem treinado ele era.

“Não diga besteiras. É obvio que você tem treinamento shinobi.”  Tobirama rebateu, mas Itachi não reagiu, de novo.

Tobirama parecia quase no limite de sua paciência, mesmo que sua linguagem corporal não denunciasse como ele se sentia, Madara sabia ler as mínimas flutuações no chakra dele.

“Nunca falei que não tive treinamento.”

“Então me diga, Uchiha Itachi, quem te treinou?”

Houve uma pausa e então, “... Não importa, eles já estão mortos.”

Madara segurou um suspiro, isso não estava indo em nenhum lugar nas mãos dos Senjus. “Seus pais.”

Itachi inclinou sua cabeça para o lado de Madara, “O que tem eles?”

“Qual deles é do clã?”

“... Meu pai era.”

Isso não foi de muita ajuda, existiam poucos Uchihas que tinham filhos fora do clã em segredo e isso diminuía muita as possibilidades, mas do jeito que Itachi falou parecia que ele tinha crescido com seu pai e Madara não conhecia nenhum Uchiha que abandonou completamente o clã para criar um filho.

Ele estava escondendo alguma coisa, ficou evidente em todas as respostas, mas não era claro sobre o que se tratava. Qual poderia ser o motivo para manter segredo? A proteção de alguém? E qual segredo seria esse? Madara precisava descobrir do que se tratava.

Sua mente estava analisando cada interação que ele teve com Itachi quando um movimento ao seu lado quebrou sua concentração.

Izuna deu um passo a frente pela primeira vez durante todo o interrogatório, seu rosto estava em branco, mas Madara podia sentir seu chakra ondulando, como uma fogueira que tinha acabado de começar.

Ele não disse nada de início e foi o suficiente para o homem ficar tenso. Madara podia ver Itachi antecipando a pergunta como se soubesse o que Izuna ia perguntar e tivesse certeza que não iria gostar.

Seu irmão abriu a boca e, com a voz mais calma que Madara ouviu em meses, disse, “Quem é Sasuke?”

O chakra de Itachi queimou.


Itachi esperava todas as perguntas, ele se preparou para todas elas, dando a verdade, mas não o suficiente dela.

Seu corpo seguiu seu comando, seu chakra não revelando o que ele estava sentindo, seu coração nunca perdendo o ritmo e sua respiração se mantendo calma e natural, afinal não tinha como saber se estavam mentindo ou não.

Ele sabia o que iriam perguntar, era óbvio, então ele não tinha muito a temer.

Mas Itachi não esperava aquela pergunta.

“Quem é Sasuke?”

Seu controle escorregou no momento que o nome saiu da boca do outro. Ele podia sentir seu coração gaguejando sua respiração falhando e seu chakra se soltando.

Ele não conseguiu deter a resposta.

Por que como era possível saber esse nome? Claro, se alguém conhecesse Itachi e sua história, não seria difícil saber que o nome de Sasuke tinha algum poder sob ele, mas esses shinobis não o conheciam. Eles não mostraram reconhecimento com o rosto dele, nem mesmo com o nome ou com qualquer outra informação que ele deu.

E isso só deixava uma opção, mas Itachi não conseguia acreditar em algo assim já que a única forma deles saberem teria sido através dele mesmo e ele não foi torturado em um genjutsu por essa informação, então ele deve ter falado o nome de Sasuke durante a inconsciência e isso era inaceitável.

Afinal, como ele pode deixar o nome de seu irmãozinho escapar em território inimigo? Foi como dar sua maior fraqueza em uma bandeja de prata e dizer que aquele era a única rachadura visível, o único ponto que podia fazer desmoronar o castelo de cartas.

E ninguém deveria saber disso.

Mas Itachi sentiu que o homem sabia que reação conseguiria dele e isso foi ainda mais preocupante, porque a única pessoa que conhecia essa informação era Madara que muito alegremente usava a qualquer momento para empurrar mais ainda Itachi.

 

“Hmm, qual era mesmo o nome do seu irmãozinho? Ah, Sasuke, né?”

 

Sua respiração falhou e, se ele fosse um pouco menos shinobi perfeito, sua cabeça teria mexido de um lado pro outro para dispersar os pensamentos. Como ele era, foi preciso apenas uma respiração um pouco mais profunda que o normal e ele estava reinando sob sua mente novamente.

Ele abriu sua boca e disse a única verdade sem controle que ele daria, “Meu irmão.”


Depois que Izuna perguntou sobre Sasuke, Itachi se recusou a responder qualquer pergunta que eles tivessem, então eles tiveram que desistir. Por enquanto.

Então eles tiveram que se mover para a próxima questão importante: colocar Itachi sob os cuidados do clã e longe dos Senjus.

“Como tudo já foi resolvido, iremos voltar com Itachi.” Madara declarou, ele já conseguia ver a reação de todos que estavam naquele dia quando ele trouxesse Itachi para o composto.

“Espere, achei que nós iriamos cuidar dele.” Hashirama deu um passo à frente, interceptando Madara.

“Por qual motivo deveríamos permitir? O lugar mais seguro para ele é ao lado do clã.”

“Ele ainda não se recuperou totalmente e vai precisar de alguém que conheça todos seus ferimentos. O melhor para sua recuperação é ficar com o meu clã.”

Madara sentiu seu chakra tremer com essa declaração. Não era fácil ouvir Hashirama diminuindo a cura de seu clã assim, mas ele também não podia gritar e desprezá-lo como Izuna fazia com Tobirama, afinal Hashirama era o responsável por Itachi ainda estar vivo e Madara conseguia ver o motivo de tanta apreensão.

Mas ele também não iria aceitar calado. “Não é necessário se preocupar, nossa iriyō-nin já está a par do tratamento, ela conhece muito bem os cuidados necessários para com um Uchiha.”

“Ainda assim tenho que discordar, como o médico dele, tenho medo de que o estresse possa dificultar o tratamento.”

“É por isso que ele deve voltar para onde a família dele está.”

Itachi precisava de apoio e principalmente da família dele. O clã não estava lá quando ele precisou, Madara sabia, mas eles poderiam estar lá agora, eles mostrariam o amor e o conforto que todo Uchiha conhecia, que ele era apreciado e que tinha um lugar entre eles.

Além do mais, não seria nenhum pouco seguro deixá-lo dentro do composto Senju, mesmo com todas as garantias de Hashirama de que ninguém chegaria perto dele.

“Mad-”

“Anija, pare de discutir. É melhor deixar o Uchiha com a laia dele.”

Hashirama suspirou derrotado, “Certo. Mas eu terei que avaliar sua condição semanalmente para ter certeza que ele está melhorando.”

“Tudo bem.” Madara respondeu sem hesitar, não seria uma perda ter mais um iriyō-nin habilidoso cuidando de Itachi. “Izuna.”

Seu irmão o olhou e acenou com a cabeça antes de ajudar Itachi a se levantar, ele não precisava de mais palavras para saber o que Madara iria fazer agora.

Sem nenhuma palavra de despedida, Izuna saiu com Itachi e então toda a tensão que havia na sala desapareceu como uma brisa de verão.

 “Vamos falar da aliança!” Hashirama se lançou em Madara, mas ele deu um passo para o lado e Hashirama passou direto.

Madara colocou a mão esquerda na testa antes de soltar um suspiro cansado, “Isso não vai acontecer, Hashirama.”

Se Izuna não tivesse praticamente jogado algumas verdades na cara de Madara a pouco tempo, sem duvidas ele teria aceitado qualquer coisa que Hashirama pedisse pelo sonho de infância que eles compartilharam uma vez.

Mas Izuna falou com ele e deixou claro que nem todos iriam aceitar uma aliança com o clã inimigo simplesmente porque eles tinham salvado um dos seus.

“Mas é o nosso sonho de infância, Dara!”

“Era nosso sonho de infância, Hashirama. Eu acreditava que podíamos criar uma aldeia simplesmente com a nossa vontade, mas as coisas não são assim.” Ele deu um passo a frente e encarou Hashirama nos olhos, “Não se pode apagar gerações de ódio e sangue derramado do dia para a noite. Haverá oposições dos anciões, das crianças, de qualquer um que já perdeu alguém nessa guerra.”

Tobirama se aproximou do seu irmão e colocou uma mão no ombro de Hashirama. “Você sabe que o que ele está dizendo é verdade, Anija, está na hora de você aceitar isso.”

Hashirama pareceu querer discutir, mas a Tobirama apertou sua mão no ombro do irmão e então o rosto de Hashirama se tornou derrotado. “...O que você sugere?”

“Um cessar fogo.”

 

Notes:

sobre a Hinoki usando chakra pra examinar o itachi: eu fui na wiki pra ver exatamente como a merda do iriyojutsu funcionava mas não me ajudou
então acabei tendo que fazer um jeito dessa merda funcionar sem ela usar a palma mistica (porque aparentemente é o único jutsu medico existente??? Serio kishimoto como assim)
dito isso o chakra usado deve ser um tipo sem natureza de chakra pra não ter nenhum problema durante a cura, mas aqui a Hinoki não faz isso então ela acaba usando o chakra com a natureza que tem (por isso que o chakra sai vermelho) e ela usa o sharingan também pra conseguir ver o chakra dela passando pelo sistema do Itachi porque ela não é um sensor

O que vocês acharam desse pov do Madara? Sinceramente é um pouco difícil de escrever ele, mas estou orgulhoso do que saiu

Chapter 6: apenas um genjutsu

Notes:

Olha quem voltou! Depois de quase dois anos!!!

FIIIILLLFIIIIILLLLFIIIIIIILLLPOOOWWWWWW 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 PAPAPAPAPUPUPUPUPU 🎉 🎉 🎉 🎊 🎊 🎊 🎉 PAPAPUPU 🎆 🎇 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 🎆 🎇 PAPAPAPAPUPUPUPUPU 🎉 🎉 🎉 🎊 🎊 🎊 🎉 PAPAPUPU 🎆 🎇 PAPUL 🎆 🎇 🎇 🎆 FIIILLLPUUUUUPOW

Capitulo curtinho só para voltar a vida.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Itachi não queria entrar no composto, mas ele não teve escolha novamente. Mesmo com todas suas tentativas de parar e impedir o avanço em direção ao portão, Izuna continuava com o passo constante como se as tentativas de Itachi fossem nada.

No final, realmente era. Sua força física estava se deteriorando a muito tempo, com o uso cada vez mais constante dos remédios, sua saúde e seus músculos se desmanchavam como folhas secas, tinha chegado ao ponto de Itachi manter suas capacidades físicas com seu chakra, o que apenas piorava mais ainda sua saúde.

Ele não duvidava que estava no fundo do poço naquela época e não tinha um problema com isso desde que ele conseguisse cumprir com sua missão, mas agora… estar doente era tudo que ele menos queria.

Se seu corpo não estivesse tão fraco, ele poderia estar a quilômetros de distância dos Uchihas e Senjus.

Seria tão mais fácil.

Itachi sentiu um leve puxão em sua mão, Izuna estava o arrastando pra dentro do composto sem nenhuma hesitação. Ele quase podia sentir as pessoas aglomeradas perto da entrada, com seus chakras de brasas e raios.

E assim que ele passou o portão, os cochichos começaram.

Eram tantas vozes diferentes, tantos barulhos e chakras. Havia pessoas para todo o lado, empurrando umas às outras enquanto sussurravam sobre ele.

Itachi se sentia indefeso e encurralado, ele não conseguia ver ninguém porque seus olhos ainda estavam enfaixados e não tinha forças o suficiente nem para se manter em pé direito.

Mas se ele pudesse, se seu corpo estivesse recuperado, mesmo que apenas um pouco, ele estaria bem longe daquele maldito clã e suas terras amaldiçoadas.

Porque esse clã não conhecia espaço pessoal ou qualquer merda desse tipo, as pessoas tentavam puxar Itachi para um abraço e sussurravam sobre seus olhos e como ele era um pobre coitado que não conseguia ver.

E enquanto alguns queriam o confortar, outros sussurravam palavras de desgosto, sobre algum crime terrível que ele deve ter cometido pra receber tal punição de Amaterasu. Ele podia ouvir mães e pais sussurrando para seus filhos não tocarem ou olharem para ele, mandando ficarem longe de tal aberração.

E isso teria levado Itachi ao limite se ele não tivesse suportado pior.

Olhares de desgosto de estranhos não seriam o que quebraria Itachi, ele já recebeu o puro ódio de Sasuke por anos.

Claro, ele odiava tudo isso profundamente, o fazia se sentir como um rato de laboratório, já bastava os Senjus examinando-o durante todo o tempo que ficou desacordado, ele não precisava de mais desconhecidos achando que tinham algum direito sobre ele.

Quando alguém tentou o puxar para outro abraço novamente, Itachi foi puxado para Izuna, “Parem já. Ele não deu nenhuma permissão para vocês o tocarem.”

E com isso tudo parou. 

O barulho e o caos sumiram, as pessoas abriram caminho para Izuna e ele passarem sem reclamar.

Itachi sabia que ele era alguém importante, mas isso o lembrou de quando ele era o precioso herdeiro do clã.

Dos sorrisos, de cada pequeno cumprimento quando ele passava pela rua, dos olhares de orgulho e expectativas sobre ele, do carinho que cada um do clã apresentou para ele. Dos olhares que depois se viraram contra ele

Eles continuaram, dessa vez sem nenhuma interrupção, até chegarem no que Itachi considerou o centro do composto. Ele podia sentir como a segurança era mais rígida aqui, dado a grande quantidade de chakras ainda em desenvolvimento aquele era o coração do clã, onde os próximos guerreiros cresciam e onde o próprio líder dormia, Itachi pensava.

De lá, Izuna o puxou para uma casa grande e assim que eles entraram tudo se acalmou.

Mesmo dentro, Izuna não soltou a mão de Itachi nenhuma vez, ele apenas continuou o guiando por corredores e salas, “Você irá ficar aqui, por enquanto.”

“Por quanto tempo?”

Itachi podia sentir a madeira sobre seus pés, o desgaste que tantos outros passos fizeram nela, os pequenos sulcos causados por kunais, o calor de uma casa de família.

“Até Hinoki dizer que você está curado.”

Ele também podia sentir quando passaram por uma seção que não era visitada a anos, a poeira sob seus pés e no ar, como aquela parte não foi cuidada devidamente, a dor da perda.

Eles pararam no que Itachi considerou um quarto, era mais para dentro da casa, onde apenas os moradores, e as pessoas mais próximas a eles, ficariam. Era bem cuidado, ele percebeu, não tinha poeira no ar ou no chão, o ar circulava pelo local, provavelmente por causa de uma porta ou janela aberta, havia um leve toque de chakra espalhado nas paredes.

Foi apenas então, que Izuna soltou sua mão e parou em frente a Itachi. “Você pode usar o meu quarto, até termos um mais decente para você.”

Izuna se virou pronta para sair do quarto, mas Itachi o parou. “Você ainda não disse quem é.” Ele já sabia o nome de Izuna, e conseguia presumir quem Izuna era e em que época estava.

Era apenas uma pergunta para cobrir suas bases.

“Izuna.”


Quando a noite caiu, Izuna o buscou para o jantar. Eles andaram pelos mesmos corredores que antes, até pararem na metade do caminho e entrarem numa sala a direita.

Duas coisas foram percebidas por Itachi quando eles entraram.

A primeira era que tinha outra pessoa na sala, ele podia sentir, mas não conseguia distinguir com exatidão quem era, ele apenas supunha que era o outro Uchiha que tinha mandado Izuna trazê-lo para o complexo, o dono da voz áspera.

A segunda era o cheiro do jantar no ar. Era simples, apenas arroz, peixe miso e alguns vegetais que ele não conseguia distinguir muito bem, assim como sua mãe fazia quase todos os dias. Algo básico e fácil que Itachi nunca sentiu falta.

Ele não tinha certeza se conseguiria comer isso.

Talvez notando a hesitação de Itachi, o homem desconhecido falou, “Precisa de ajuda?” Era a mesma voz áspera.

Uma mão se estendeu em direção a Itachi, “Não é necessário.” Ele respondeu, pegando um dos vegetais.

Não houve silêncio que durasse, Itachi percebeu, assim que Izuna se sentou propriamente, os dois homens começaram a conversar entre si, sem se importar com a presença de Itachi.

Não que ele se importasse também, quanto mais eles falassem sem se preocupar com a presença dele, mais informações ele conseguiria.

Do que eles falaram, pouca coisa era relevante. Algum problema com as provisões, ladrões de dōjutsus e uma pequena briga entre os membros do clã eram as informações mais notáveis.

Ladrões de dōjutsus existiam em todas as épocas, era algo que qualquer um sabia, e cada clã tinha suas próprias formas de lidar com eles. O Uchiha, pelo que ele se lembrava, era um dos mais atacados e também um dos que menos tinham piedade quanto a isso, não importava quem fosse o ladrão, assim que o Uchiha colocasse suas mãos na pessoa, era certo que ela iria sofrer.

Não era algo que importava para Itachi, afinal quem iria perder tempo roubando olhos que nem funcionavam mais?

As provisões eram outra história, de acordo com suas aulas de herdeiro, o Uchiha nunca chegou a ser um clã que se preocupasse em não ter comida na mesa, sendo um clã agraciado com fatura e boas safras, até mesmo durante os invernos.

Agora que ele analisava melhor o assunto, mais suspeito parecia. Seu clã nunca foi conhecido por seu cultivo, na verdade, dado sua natureza primária e secundária, eram poucos os que conseguiam cultivar alguma coisa.

Durante Konoha tinha sido diferente, eles podiam relaxar e focar em coisa simples como criar uma horta, não eram muito os primos que tentaram, mas aqueles que se esforçaram conseguiram ter uma horta decente com algumas pedras no caminho. Sua própria mãe tinha sido uma das pessoas, ela sempre insistia em ter tudo que fosse preciso para comer a poucos metros da cozinha, era raro às vezes que ela pedia para que Itachi fosse atrás de algum ingrediente.

Não demorou muito até que Itachi estivesse ao lado dela, pergunta mais e mais sobre cada planta que ela tinha na horta. Chegou ao ponto em que ele sempre ajudava sua mãe depois das missões

Mas nesse período, devia ser diferente, sem tempo para perder com coisas que não dariam frutos, era mais simples fazer acordos com clãs que podiam prover o necessário sem dificuldade.

Era algo que ele iria guardar para pensar depois.

Os dois discutiram mais tópicos que não interessavam a Itachi, até que finalmente um chamou a atenção dele, “Como foi a conversa com os Senjus?”

“Eu fiz o que você disse, Izuna, se essa é a sua preocupação. Sem aliança, sem aldeia, apenas um cessar fogo.” Um suspiro pesado veio do seu lado direito, parecia que os dois já tiveram essa conversa diversas vezes e Izuna estava cansado do outro reagir tão áspero.

“E como o demônio branco reagiu?” Itachi sentiu o brilho no chakra de Izuna, ele devia estar sorrindo assim que terminou a pergunta.

“Não comece, Izu.” O outro rebateu.

“Vamos, nii-san, apenas me diga.”

“... Ele não foi contra a minha proposta, parecia que era algo que ele está tentando enfiar na cabeça dura de Hashirama esse tempo todo.”

Hashirama? Não pode ser-

“Você não me disse o seu nome.” Itachi interrompeu, ele não queria estar certo sobre a identidade do dono da voz áspera.

Um Izuna já era uma coincidência numa época em que os Senjus ainda estavam vivos e Konoha não existia. Não era fácil aceitar algo assim, mas ele sabia que seu clã muitas vezes gostava de repetir nomes, principalmente nomes importantes em sua história, ele já teve sua cota de primos chamados Higuchi e Kagami.

Não era fácil, mas ele conseguia aceitar. O que seria um Izuna entre as centenas de outros Uchihas de mesmo nome?

Agora um Senju chamado Hashirama? Ele podia não ser muito versado na escolha de nomes de outros clãs, muito mais um que já estava extinto no seu tempo, mas tinha certeza que apenas um homem tinha esse nome.

“Sou o líder do clã, Uchiha Madara.”

Itachi parou, seus pensamentos correram como água se rompendo de uma barragem.

Ele não conseguiu parar a enxurrada de flashbacks de Madara o encontrando na floresta nem a voz dele o empurrando cada vez mais.

Aquilo era um genjutsu, tinha que ser. Era Madara mexendo com ele mais uma vez, o provocando e tentando fazer ele falhar.

Itachi apertou o controle sobre seu chakra como nunca antes, ele não podia deixar Madara de todas as pessoas saberem o que ele estava sentindo.

Ele se levantou sem uma palavra e saiu da sala, segurando profundamente sua respiração. Mesmo com Izuna chamando seu nome, ele não olhou para atrás.

Um maldito genjutsu. Era uma piada de mal gosto.

Uchiha Itachi, gênio do clã Uchiha, proficiente em genjutsu, caindo em um.

Não tinha sido ele que contou o nome de seu irmãozinho para desconhecidos, porque eles já sabiam desde o começo. Esse maldito Uchiha Madara mais uma vez tentando entrar na cabeça de Itachi e dessa vez conseguindo.

“Kai.” Ele sussurrou no silêncio do quarto.

Mas nada aconteceu.

“Kai.” Ele tentou mais uma vez, e quando um minuto se passou, Itachi podia sentir seu coração batendo cada vez mais rápido.

Mas ele tinha que continuar tentando até conseguir, talvez tivesse algo o impedindo de usar seu chakra, conhecendo Madara, não seria uma surpresa se ele tivesse a ajuda de Orochimaru para fazer um selo para ele.

O simples pensamento de Orochimaru, colocando suas mãos em si, congelou sua espinha. Ele não conseguia sentir nenhum chakra estranho em seu corpo, mas também não podia confiar apenas nisso, principalmente quando ele está em um genjutsu de todas as coisas.

Dedos na mesma posição. Uma, duas respiradas, “Kai.”

Nada.

Mesma posição, respirada curta, “Kai”

Suor em suas mãos, algo molhado na sua bochecha, coração acelerado, um sussurro trêmulo, “kai”

A pressão ao seu redor aumentava, seu foco escorrendo de seu aperto, sua respiração descompassada, uma dor aguda em sua cabeça, ele não podia ficar ali. Ele precisava quebrar aquele genjutsu, ele tinha que. “kaikaikaikaikaikaikai”

Itachi podia sentir ele se aproximando, assim como naquele dia entre as árvores, quando se encontraram pela primeira vez. Itachi já sabia o que ele iria dizer com aquela voz debochada, ele sempre dizia a mesma coisa quando estavam sozinhos.

 

“Esse é o famoso gênio Uchiha?” Uma risada seca, “Se eu soubesse que nosso clã decaiu tanto assim teria acabado com ele antes.”

Itachi se levantou, seu mangekyō encarava seu inimigo. Suas palavras não o machucavam, já se foi o tempo em que ele se importava com o clã, que ele se importava em ser reconhecido como um gênio ou não.

Apenas uma coisa era importante para ele, uma que Madara tinha conhecimento.

“Tão sangue frio, o herdeiro Uchiha que nem piscou quando torturou seu próprio irmão.”

Itachi cerrou os dentes, “Não fale sobre ele.”

“Oh? Gosto desse olhar em seu rosto agora, Itachi. Parece até que você consegue me matar.” Madara riu, enquanto seu único sharingan girava preguiçosamente. “Você devia ter essa expressão mais vezes, sabe? Parece menos o prodígio Uchiha e mais o assassino de clã.”

Itachi se lançou sobre Madara, pronto para usar Amaterasu e acabar com isso de uma vez por todas-

 

Suas mãos subiram rapidamente para seu rosto, ele tinha que ver agora. Seus dedos se prendaram nas bandagens e puxaram sem hesitação ela para baixo.

Itachi nem perdeu um segundo para ativar seu sharingan, ele já sabia que sua visão era péssima sem o dōjutsu, ele sentiu o sangue escorrendo do seu olho direto pela bochecha direita e só então percebeu que não conseguia ver com aquele olho.

Ele podia sentir o ataque de pânico surgindo, mas não tinha tempo para isso, não agora quando sabia que Madara estava se aproximando e as paredes se fechavam sobre si.

 

“Compartimentalize, Itachi. É a coisa mais importante durante uma missão.”

“Ok, Taichō.”

 

Ele respirou fundo uma última vez, antes de pular pela janela.

 

Notes:

Agora sim nós vamos começar a curar o Itachi, chega de tanto sofrimento pro menino.
(E próximo cap teremos Itachi encontrando alguém)
Espero que tenha gostado desse capitulo e caso queiram gritar comigo por tanta demora (ou outra coisa também) minhas redes sociais: blue sky & tumblr

Chapter 7: antes que o fogo chegue

Summary:

Itachi foge do complexo, encontra o que parece ser alguém do passado e descansa.

Notes:

Fiz algumas alterações no primeiro capítulo, em relação a menção da Akatsuki.

(See the end of the chapter for more notes.)

Chapter Text

Navegar em uma floresta escura, desconhecida, com quase nenhuma visão e um ataque de pânico não era fácil ou rápido.

Principalmente, quando a cada passo que ele dava, era como se as árvores tentassem impedi-lo. Foi um galho que ele não viu, uma raiz que achou estar mais à frente, um tronco que parecia mais à esquerda, algumas folhas que escondiam uma depressão traiçoeira no chão.

Cada tropeço o fazia mergulhar mais fundo na floresta, no próprio corpo, no pânico crescente em seu âmago.

O ambiente ao redor se transformava. Não parecia mais natureza simples. As sombras observavam como um caçador vigilante. Os galhos eram mãos pegajosas que se agarravam a ele, se recusando a soltá-lo. A terra puxava seus pés, tentando enterrá-lo junto com o passado.

Mas Itachi não podia parar. Cada segundo que se passava com ele sem conseguir quebrar aquele genjutsu, era mais um motivo para a voz de Madara o atormentar.

Algo devia estar impossibilitando a fuga daquela ilusão, daquele pesadelo. Talvez um selo de supressão de chakra, um selo de genjutsu ou, até mesmo, uma imitação do seu próprio Tsukuyomi.

Ele não sabia —­­­­­­­­ e isso era o pior.

Eram tantas possibilidades diferentes, tantas opções para dois shinobis com insanidade (e amor por torturar Itachi) poderiam escolher que ele nem conseguia imaginar.

Porque, tudo isso —­­­­­­­­ esse mundo ilusório bem construído, com tanta profundidade na história do clã e de fora — não poderia ter sido feito apenas por Madara ou por Orochimaru. Os dois deviam ter uma mão nesse pesadelo que Itachi estava enfrentando.

Mas e se não forem eles?

Um pequeno canto da sua mente sussurrou e, como uma faísca em um pasto seco, a ideia cresceu rápido.

E se ninguém estiver por trás disso? E se isso não for um Genjutsu? Se isso for outra realidade ou o passado?

Itachi tentou silenciar o pensamento, empurrá-lo para o fundo de seu cérebro. Mas era tarde demais. A ideia, que no início era uma simples faísca, virou uma labareda, queimando tudo que ele queria acreditar ser verdade.

Sua mente corria. Relembrava cada detalhe desde o momento em que acordou naquele lugar.

Os cheiros, os sons, os chakras, as dores, o gosto de sangue-

Tudo real demais.

Nuances demais para uma ilusão.

Ele precisava sair dali.

Precisava ir o mais longe possível do centro do genjutsu, do composto Uchiha, até encontrar algo, uma falha, qualquer coisa que acabasse com aquela ilusão, o arrancasse daquele pesadelo.

Ele torcia para que fosse uma ilusão.

Ele precisava que fosse.

Porque se aquele lugar fosse real, se aquele tempo fosse antes da fundação de Konoha, um tempo que ele apenas conhecia dos livros de história e nada mais, então-

Então, ele estava preso. 

Preso em uma era que não o conhecia.

Preso em um tempo que ele não deveria presenciar fora do papel e de histórias antigas demais para serem lembradas.

Como uma kunai no pescoço, o pânico surgiu —­­­­ frio, afiado, perigoso, inevitável.

Tudo fazia sentido demais.

Os cheiros, as vozes, os nomes.

Não tinha nenhuma rachadura. Nenhum erro grotesco. Nenhuma falha.

Itachi estava em um lugar completamente diferente.

Um tempo completamente diferente.

Cercado do fogo do clã que ele exterminou com suas próprias mãos, dos olhares que ele passou a odiar com todo o resto de seu ser.

Em um tempo em que Uchiha Itachi não existia ainda, um que o clã Uchiha ainda não tinha sido massacrado pelo próprio herdeiro

Ele não podia voltar para o composto.

Não quando ele podia ouvir a voz de Madara sussurrando em seu ouvido ameaças e sobre como ele era tão tolo por deixar algo tão simples assim leva-lo à beira da insanidade.

Por isso ele continuou, atrás de algum lugar reconhecível para si, minimamente seguro, longe o bastante do fogo Uchiha que continuava a queimá-lo por dentro.

Foi quando ele chegou no rio Naka que ele parou.

Não era a mesma parte do rio que ele sempre se encontrava com Shisui, nem era o lugar onde ele tinha prometido a si mesmo que faria Sasuke restaurar a honra do clã.

Mesmo assim, ainda era o mesmo rio de fazia parte das terras dos Uchihas na época de Konoha, apenas mais jovem do que no tempo de Itachi.

Só então seu corpo relaxou, e ele se permitiu respirar pela primeira vez em horas.

O rio Naka sempre foi o único lugar que fazia Itachi se sentir seguro dentro de Konoha, o único lugar que o fazia sentir como se Shisui ainda estivesse vivo e ao lado dele, o único lugar que testemunhou todas as suas escolhas.

Era irônico, talvez, que o lugar onde seu melhor amigo se matou fosse onde ele podia ainda o sentir.

Itachi ainda se lembrava claramente daquele dia.

O sol estava forte naquela tarde, o barulho da aldeia era silenciado pelo vento que percorria as bordas do santuário Naka no fundo do complexo de seu clã, o rio que nomeou o santuário percorria mais furioso do que os outros dias.

As árvores balançavam com a força do vento, perturbando alguns passarinhos que tentavam construir seus ninhos naqueles galhos, enquanto outros permaneciam inabaláveis pelo caos do mundo.

Seu primo e melhor amigo estava parado na beira do penhasco, um de seus olhos estava fechado e sangrando, o outro tão aberto e vivido com seu sharingan em cata-vento encarando Itachi.

A voz de Shisui estava calma, igual todas as outras vezes que eles se encontraram naquele penhasco, no mesmo tom que ele usava para acalmar Itachi depois de alguma reunião do clã ou missão que o deixava acordado noites a fio.

Não parecia a voz de alguém que estava prestes a se matar, não pareciam as últimas palavras de alguém.

O olho que ele recebeu naquele dia não significava o que deveria. Não era uma promessa, nem uma honra, como a maioria das lendas Uchihas descreviam, Itachi não se sentiu honrado ou digno de receber aquele olho.

Assim como ele não se sentiu digno de continuar o legado de Shisui, de carregar a última vontade dele, de proteger Konoha e a honra dos Uchihas.

Ele também lembrava das coisas que aconteceram logo depois.

Das acusações de dentro e fora do clã, dos olhares o seguindo por todo lugar, de como ele apenas conseguia respirar quando estava com sua máscara Anbu, quando podia viver como Doninha e não como um Uchiha.

De como as paredes de Konoha pareciam o sufocar a cada segundo que ele passava dentro dela, de como ele fez um acordo com dois diabos para seu irmão viver.

Um desses diabos ainda estava ali — e ele com certeza não mediria esforços para arrastá-lo de volta para as paredes do clã, assim que percebesse que Itachi não voltaria por vontade própria.

Ele não podia permitir que isso acontecesse- não poderia permitir que Madara tivesse controle sobre suas decisões novamente.

Ele não poderia- não poderia-

 

 

 

“Compartimentalize, Itachi.” Ele sussurrou para si mesmo, enquanto seus olhos vagavam de um lado para o outro atrás de ameaças que poderiam surgir.

Ele ficou ali, talvez por dez segundos ou dez minutos, repetindo a mesma frase como um mantra sagrado, até o momento em que um borrão cinza apareceu.

Um borrão que parecia demais-

Taichō?

Itachi estudou melhor a outra pessoa e percebeu que não podia ser Kakashi. O tom de cabelo estava mais claro e sua postura parecia menos relaxada do que a de seu capitão da Anbu.

Ainda assim, sua aura era tão semelhante com a de Kakashi, tão calma e distante, que ele se viu gravitando lentamente em direção ao outro.


Tobirama estava quase pronto para ter algumas horas de descanso.

Hashirama havia se acalmado — em partes — depois das “ótimas” notícias de um cessar-fogo com os Uchihas. Os anciões já haviam desistido de tentar colocar juízo no irmão horas atrás, e os membros do clã estavam mais preocupados em aproveitar uma noite sem batalha.

Restava a Tobirama apenas uma última ronda nas fronteiras antes de dormir.

A primeira fronteira que ele visitou foi a Sul, onde o Senju fazia divisa com alguns pequenos clãs que estavam mais do que felizes não se envolvendo entre a guerra entre Senju e Uchiha.

O posto era modesto: um quarto com seis camas e uma sala que servia para reuniões e o que fosse necessário. O responsável era Yoshinori, um dos poucos membros do clã que tinham cabelos azuis escuros e um dos muitos que não gostavam de Tobirama.

Assim que Tobirama chegou, o rosto de Yoshinori se fechou em desprazer. Não era nenhuma novidade que o mais velho pensasse que Tobirama era quem tinha colocado ele lá como uma forma de castigo. Não que Tobirama se importava com o que alguns membros do clã pensavam dele.

A conversa foi curta. Yoshinori rapidamente passou um breve relatório: nenhuma movimentação na fronteira desde a última vez que Tobirama esteve lá.

No posto avançado do Oeste foi a mesma coisa, o responsável informou que não houve nenhuma movimentação recentemente, apesar do clã vizinho constantemente começar brigas com os Senjus.

Foi quando ele estava indo em direção a fronteira Norte, onde eles faziam divisa com o clã Uchiha, que ele sentiu um chakra fraco de fogo correndo em direção ao rio Naka.

Alarmado, Tobirama mudou de velocidade para interceptar o Uchiha antes que ele pudesse encostar nas terras Senjus.

O que um Uchiha iria fazer na fronteira de seu clã?

Seus clãs tinham acordado um cessar fogo, mas ele sabia que nem todo mundo, dos dois lados, iriam aceitar isso tão facilmente. Tobirama esperava a rejeição que iria surgir e que alguns decidiriam agir por conta própria, mas não contava que algum Uchiha iria fazer isso nessa noite.

Uchihas impulsivos.

Não demorou muito para chegar na margem do rio e, assim que ele chegou seus olhos pousaram no Uchiha parado na outra margem.

Não precisou de muito para reconhecer o Uchiha — as bandagens no corpo, o sangue abaixo do olho direito, o chakra familiar e instável. Era Uchiha Itachi. O mesmo Uchiha que apareceu no meio de uma escaramuça e, ironicamente, acabou forçando os dois clãs à trégua.

Mas ele não parecia tão composto como durante o interrogatório.

Seus olhos estavam erráticos, indo de um lado para o outro enquanto sussurrava desesperadamente. Seu chakra estava em completa bagunça, brilhando com medo, confusão e ódio.

Ele parecia um animal encurralado que atacaria assim que Tobirama se fizesse presente.

Mas Tobirama não podia ignorar a presença do Uchiha.

Se alguma coisa acontecesse com ele, qualquer coisa, o frágil cessar fogo poderia acabar como se nunca tivesse existido e a guerra voltaria com tudo.

E se isso acontecesse, Hashirama não se perdoaria.

Tobirama não podia deixar aquilo acontecer.

Ele avançou com passos firmes, atravessando o rio, até parar a poucos metros do outro.

O Uchiha não se moveu, nem disse uma palavra. Apenas seus olhos o encararam, o sharingan girando sem vida, como se ele não se importasse com o que aconteceria a seguir.

Tobirama o estudou por alguns segundos, suas bandagens manchadas, suas roupas sujas... ele estava na floresta há um tempo.

“Fugindo?” Ele desviou o olhar, se recusando a responder.

Mas aquela recusa era tudo que Tobirama precisava, uma resposta por si só.

“Não esperava um Uchiha fugindo em direção aos Senjus.”

A resposta veio tão baixa que, se Tobirama estivesse menos atento, não ouviria. “Não esperávamos muitas coisas.”

Não era um convite ou uma resposta para abrir mais espaço para discussão, ele sabia. Aquilo tinha sido dito mais como um simples fato, algo tão profundo que não poderia ser desfeito.

Algo que tinha a intenção de afastar, mas que, ao invés, despertou a curiosidade de Tobirama.

Ele inclinou levemente a cabeça, “Vai continuar se arrastando pela floresta por quanto tempo?”

Mais silêncio.

Tobirama deu um leve suspiro. Se aquele Uchiha continuasse do jeito que estava — ferido, instável e sozinho — ele não iria sobreviver por muito tempo, talvez apenas mais um dia.

E a morte desse Uchiha, era algo que Tobirama estava ali para impedir.

Pelo bem de seu irmão.

“Tem uma cabana a três minutos daqui. Longe do composto Senju, ninguém sabe dela.” O Uchiha o encarou, a desconfiança brilhando no chakra e no sharingan.

Tobirama podia ver o cansaço pesando os ombros do outro, podia ver como o chakra tremia com a mínima ideia de adentrar em mais um território desconhecido e, ao mesmo tempo, brilhava com a mínima chance de ter um descanso.

“Se quiser continuar fugindo, corra. A floresta é densa o suficiente para engolir um cadáver sem deixar vestígios.” Ele constatou, seco. “Mas se quiser sobreviver amanhã.”

Não foi necessário terminar a frase, ele podia ver, em seu chakra, o momento que o Uchiha decidiu por mais um dia de vida.

O Uchiha se levantou, seu sharingan ainda ativo, e o encarou.

Tobirama aceitou aquilo como era: uma trégua. Ele se virou e começou a curta caminhada até a cabana, atento aos passos lentos e desconfiados atrás de si.

Ele não comemorou nem sorriu quando chegaram na cabana, tudo que fez foi abrir a porta, entrar e pegar um pouco dos mantimentos que guardava na prateleira perto da lareira.

O Uchiha parou, antes mesmo de cruzar a soleira, e o encarou, como se perguntasse se era seguro confiar, se deveria.

Sem se importar com o dilema que o Uchiha estava enfrentando, Tobirama começou a preparar uma sopa simples: cortou alguns legumes que ainda estavam bons e aqueceu a água na lareira.

Em poucos minutos, depois de colocar os legumes na água quente, o aroma leve preencheu o pequeno espaço. Ele separou a sopa em duas tigelas, pegando uma para si e a outra deixou perto da lareira.

Ele se sentou na parede oposta da porta e deslizou seu olhar da sopa na lareira para o outro. “Coma.”

Foi um pequeno convite.

Que não foi aceito no primeiro momento, nem no próximo. A sopa esfriava devagar enquanto o outro continuava em pé.

Tobirama sabia que não receberia gratidão do outro, mas esperava algo em resposta, um movimento, um gesto, um desprezo pela hospitalidade Senju.

Qualquer coisa, menos aquela estátua silenciosa que apenas o encarava de volta.

“Eu poderia te matar, se quisesse.” Foi o que quebrou o silêncio e, finalmente, arrancou uma reação do outro.

O sharingan brilhou e ele deu um passo à frente, finalmente pegando a tigela e se sentando na frente de Tobirama.

“E se fosse o que eu quero?” O Uchiha devolveu, no mesmo tom de voz, enquanto levava a colher a boca.

“Não acho que você queira.”

A colher parou.

O único som no ambiente era o crepitar das chamas, suave, quase convidativo.

Tobirama colocou a tigela ao seu lado e apoiou o cotovelo no joelho direito, se inclinando mais para frente. Ele encarou profundamente aqueles olhos, que em nenhum momento desativou o sharingan, e continuou “Se quisesse, não teria vindo até aqui.”

O Uchiha desviou o olhar por um segundo, antes de voltar a encarar Tobirama enquanto comia a sopa. Aquilo seria o mais próximo de uma confissão que ele conseguiria.

Eles ficaram assim, por um tempo.

Com o som da colher roçando na tigela e o cheiro morno de legumes no ar.

Seria uma situação ordinária: dois homens dividindo uma simples sopa em uma cabana qualquer na floresta.

Mas a verdade estava longe de algo tão banal assim, porque ambos era de clãs inimigos, independentemente de ter um cessar-fogo entre eles, e havia uma tensão no ar.

E ainda assim, naquele silêncio partilhado, havia algo quase que... solene.

Algo que Tobirama não iria nomear.

Quando o Uchiha terminou de comer sem pressa, ele colocou a tigela de volta ao lado da lareira lenta e cuidadosamente. No momento em que levantou a cabeça, olhos pretos encararam Tobirama, “Você não perguntou meu nome.”

Tobirama o olhou fixamente, um pouco surpreso com o questionamento. Era estranho tal pergunta, quando ambos já sabiam o nome um do outro. “Não achei que quisesse dizê-lo.”

O silêncio se estendeu novamente, até que a voz leve do outro cortou. “Itachi.”

Uma pausa, e então.

“Tobirama.”


Na manhã seguinte, Tobirama acordou para uma cabana vazia.

O ar denso denunciava a falta da presença do outro. Mesmo assim, Tobirama estudou cuidadosamente o lugar, esperando que o encontrasse encostado em algum canto, ainda dormindo ou talvez em pé, no batente da porta.

Seus olhos pousaram em um bilhete preso debaixo da tigela, a mesma que Itachi tinha usado e depositado na frente da lareira.

Tobirama desdobrou cuidadosamente o papel, seus dedos passaram pelos vincos e a fina caligrafia.

‘Obrigado pela hospitalidade’

Foi escrito de forma simples, firme, quase formal. Como se escrever aquilo tivesse exigido mais do que ele queria admitir.

Tobirama contemplou aquelas poucas palavras por alguns segundos, antes de dobrar o bilhete.

Ele não sabia o porquê estava o guardando entre sua armadura, apenas sentia que precisava. Sua mão descansou sobre o peito, sob o exato lugar onde tinha colocado o bilhete, com um peso que ele não sabia nomear.

Ele ficou ali por um tempo, talvez dez minutos, talvez meia hora, ao lado dos resquícios da noite anterior. Sua mão em nenhum momento saiu de seu peito, esperando que algo dentro da cabana pudesse responder às perguntas que ele nem sabia formular.

Aguardando que o silêncio trouxesse todas as respostas.

Mas o silêncio apenas carregava a ausência.

Não era do feitio de Tobirama se importar com um Uchiha. Ele deveria se preocupar com o Uchiha ferido que era o causador da paz entre os clãs, principalmente quando a trégua ainda estava fresca e recém formada, mas não era com esse Uchiha que Tobirama estava se preocupando.

Era com Itachi.

Era tolice, ele sabia.

Tobirama não era responsável por Itachi. Não era guardião, nem mesmo aliado, ou qualquer outra coisa entre essas linhas.

Ainda assim...

Tobirama se levantou, arrumou sua armadura e a cabana metodicamente. Assim que terminou, andou até o batente da porta e olhou para trás, se certificando que tudo estava em seu devido lugar e que não tinha mais nenhum resquício da presença de Itachi ou de Tobirama.

Quando seus olhos pousaram nas duas tigelas limpas sob a prateleira, seus lábios se arquearam levemente e ele saiu, deixando o silêncio para trás.

Notes:

eu menti, ainda temos alguns capítulos de sofrimento pro Itachi, mas veja o lado bom ele parece ter encontrado alguém para cuidar dele!

Notes:

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