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De Repente Você

Chapter 19: Lover

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O armário de vassouras no corredor do primeiro andar era um espaço ridiculamente apertado, daqueles que mal cabiam uma vassoura decente, quanto mais dois garotos altos e cheios de energia acumulada. As prateleiras rangiam sob o peso de baldes enferrujados e produtos de limpeza esquecidos, e o ar cheirava a poeira misturada com o perfume sutil de alfazema que Madame Nor-r-ra insistia em usar. Draco Malfoy, com as costas pressionadas contra a porta instável, mal conseguia se mexer sem roçar em Percy Jackson, que o encurralava com um sorriso predatório nos lábios. O semideus tinha as mãos plantadas nas prateleiras ao lado da cabeça de Draco, o corpo colado ao dele de um jeito que tornava impossível ignorar o calor que emanava de ambos.

Eles estavam rindo um riso baixo, ofegante, entrecortado por beijos urgentes que pareciam não ter fim. Percy havia puxado Draco para ali no intervalo entre as aulas, depois de um olhar cúmplice no Salão Principal que durara tempo demais. "Só um minuto", Percy sussurrara, mas já se passavam dez, e o "minuto" estava se transformando em algo muito mais perigoso. Os lábios de Draco estavam inchados, vermelhos do atrito constante, e ele mordia o inferior de Percy com uma provocação que fazia o alfa rosnar baixinho.

- Percy... - murmurou Draco contra a boca dele, entre um beijo e outro, o tom meio risonho, meio ofegante. Seus dedos enfiados nos cabelos pretos bagunçados do semideus, puxando de leve para inclinar a cabeça dele e aprofundar o contato. - Nós... temos que ir. As aulas... vão começar.

Percy riu, um som rouco e vibrante que ecoou no peito de Draco, fazendo seu corpo inteiro vibrar. Ele não recuou um centímetro; em vez disso, inclinou-se mais, os quadris se encaixando perfeitamente contra os de Draco no espaço minúsculo. O cheiro de sal e tempestade que sempre acompanhava Percy invadiu os sentidos do ômega, misturando-se ao seu próprio aroma de baunilha e algo mais doce, mais instintivo os feromônios de um ômega excitado, respondendo ao alfa que o dominava.

- Nem vem com isso, Draco - rebateu Percy, a voz baixa e rouca, carregada de desejo. Ele mordeu o lábio inferior de Draco de leve, puxando antes de soltar, e então desceu os lábios pelo maxilar dele, traçando um caminho quente até o pescoço exposto. - Aulas podem esperar. Eu não posso.

Draco arqueou o pescoço instintivamente, um gemido baixo escapando antes que pudesse contê-lo. As mãos de Percy eram firmes na cintura dele, os dedos enfiados por baixo da camisa da capa sonserina, tocando a pele nua e enviando arrepios por toda a espinha. O armário era tão apertado que cada movimento fazia com que seus corpos se roçassem, amplificando a tensão, o calor, os hormônios que dançavam no ar como uma poção efervescente.

- Mas... ah... - Draco tentou protestar, mas as palavras se dissolveram quando Percy encontrou o ponto sensível logo abaixo da orelha. O semideus chupou ali com determinação, os dentes roçando a pele pálida, deixando uma marca vermelha que pulsava com o ritmo acelerado do coração de Draco. O prazer foi imediato, avassalador, e Draco gemeu alto, o som ecoando no espaço confinado.

- Alfa... - sussurrou ele, a palavra saindo como uma súplica, carregada de submissão ômega que fazia seus joelhos fraquejarem. Seus feromônios explodiram, enchendo o armário com um aroma doce e tentador que só servia para enlouquecer Percy mais.

O alfa rosnou de satisfação, os olhos verdes escurecendo com luxúria enquanto ele admirava a marca que acabara de deixar. Ele estava mais animado agora, mais ousado, as mãos descendo para apertar as coxas de Draco e erguê-lo ligeiramente contra a porta, os corpos colados de um jeito que não deixava dúvida sobre o quão excitado ele estava. O armário rangeu em protesto, mas nenhum dos dois se importou.

- Viu? Isso é culpa sua - murmurou Percy contra a pele marcada, a voz grave e provocadora. Ele lambeu o chupão devagar, saboreando o gosto salgado de Draco, antes de voltar a beijá-lo nos lábios com fome renovada. - Por querer esconder isso. Nós. Como se eu fosse te deixar ir embora agora.

Draco riu entre os beijos, um som ofegante e entrecortado, as mãos subindo para o peito de Percy, sentindo os músculos tensos sob a camiseta preta. Ele retribuiu o beijo com igual intensidade, a língua dançando com a dele em um ritmo que imitava algo muito mais íntimo. O espaço apertado só tornava tudo mais urgente cada respiração era compartilhada, cada toque era inevitável.

- Claro... que eu quero esconder - rebateu Draco, entre um beijo e outro, a voz rouca e provocativa. Ele mordeu o lábio de Percy de volta, puxando de leve antes de soltar. - Todos vão achar que eu sou uma puta. Apareci namorando Você, depois terminamos comecei a namorar o Harry, terminei com ele e agora... ah... namorando você de novo. Vão dizer que eu troco de alfa como quem troca de capa.

As palavras saíram entre gemidos, mas carregadas de uma vulnerabilidade real, misturada ao desejo. Draco sentia o corpo inteiro em chamas, os feromônios ômega clamando pelo alfa, pedindo mais toque, mais proximidade, mais tudo.

Percy parou por um segundo, os olhos flamejando com uma mistura de ciúme e possessividade. Ele rosnou baixo, um som primal que veio do fundo do peito, ecoando como uma onda quebrando na praia. Seus dedos apertaram a cintura de Draco com mais força, puxando-o ainda mais perto, se é que era possível no espaço exíguo.

- Ninguém vai dizer nada disso - grunhiu Percy, a voz baixa e perigosa, carregada de alfa protetor. - E se disserem, eu cuido deles. Você é meu agora. Só meu.

Ele voltou a beijá-lo com ferocidade, os lábios reivindicando os de Draco como se para provar o ponto. O beijo era molhado, desesperado, cheio de dentes e línguas que se entrelaçavam. Percy empurrou os quadris contra os de Draco, o atrito fazendo ambos gemerem. O armário tremia ligeiramente com o movimento, e o ar estava grosso com o cheiro de excitação sal, baunilha, desejo puro e hormonal que fazia o sangue de Draco ferver.

Draco sentia tudo: o calor do corpo de Percy, a rigidez pressionada contra sua coxa, o modo como o alfa tremia levemente de contenção. Seus próprios feromônios respondiam, tornando o ar ainda mais carregado, convidando, implorando. Ele deslizou uma mão para baixo, roçando de leve sobre a calça de Percy, sentindo a evidência inegável da excitação dele.

- Alfa... - murmurou Draco, a voz sensual, baixa, como um ronronar. Ele inclinou a cabeça, expondo o pescoço marcado de novo, os olhos cinzentos semicerrados com malícia e desejo. - Você está duro? Por mim?

Percy congelou por um instante, o rosto corando um vermelho profundo que contrastava com seus olhos verdes intensos. Ele piscou, atordoado, mas o desejo venceu a vergonha. Com um suspiro rouco, ele capturou os lábios de Draco de novo, o beijo mais apaixonado do que nunca profundo, possessivo, como se quisesse devorar o ômega inteiro.

- Você me deixa louco, Draco - sussurrou Percy contra a boca dele, a voz trêmula de excitação. Ele mordeu o lábio inferior do ômega, puxando antes de soltar, e então desceu para lamber o chupão de novo, os quadris se movendo em um ritmo lento e torturante contra os de Draco. - Louco pra caramba. Eu te quero tanto... aqui, agora, em qualquer lugar.

Draco gemeu alto, as mãos apertando os ombros de Percy, as unhas cravando no tecido da capa. O prazer era avassalador, os hormônios ômega clamando por submissão, por ser tomado ali mesmo, no armário apertado e improvisado. Ele arqueou o corpo, roçando de volta, sentindo sua própria excitação crescer, o corpo respondendo ao alfa com uma necessidade primal.

- Então me tome - provocou Draco, a voz ofegante, os lábios roçando a orelha de Percy. - Mostre que eu sou seu.

Percy rosnou de novo, as mãos descendo para desabotoar a camisa de Draco com dedos trêmulos, expondo mais pele pálida para seus beijos. O armário era um caos de toques, gemidos e risos baixos dois garotos perdidos em um mar de desejo, ignorando o mundo lá fora. As aulas? Esquecidas. O risco de serem pegos? Irrelevante. Ali, só existia o calor, a paixão, o alfa e o ômega se reivindicando mutuamente.

Mas, no fundo da mente de Draco, uma vozinha sussurrava que isso era só o começo. E ele não via a hora de ver o que viria depois.

- Percy... - gemeu ele de novo, puxando-o para mais um beijo que prometia tudo e mais um pouco.

O semideus correspondeu, os corpos se movendo em uníssono no espaço confinado, o mundo reduzido a toques, cheiros e o pulsar acelerado de dois corações que finalmente se encontravam.

‐--

Percy e Draco saíram do armário de vassouras tropeçando um no outro, as capas da Sonserina amarrotadas como se tivessem sido usadas para limpar o chão de uma masmorra. Draco estava vermelho até a raiz dos cabelos loiros desgrenhados, os lábios inchados e brilhando de saliva, enquanto tentava sem sucesso alisar as mechas que pareciam ter sido eletrocutadas por um raio de Zeus.

- Olha só o que você fez com meu cabelo, seu idiota aquático! - resmungou ele, passando os dedos freneticamente pelas pontas rebeldes. - Eu pareço que fui atacado por um bando de hipogrifos com TPM!

Percy riu alto, o som ecoando pelo corredor vazio. Ele não resistiu: esticou o braço e puxou Draco para si num abraço apertado, o queixo apoiado no topo da cabeça do ômega.

- Se arrepende de passar um tempinho com o seu namorado? - sussurrou contra o cabelo bagunçado, a voz rouca e cheia de provocação.

Draco bufou, rindo apesar de si mesmo, mas logo empurrou o peito dele com as duas mãos.

- Percy! - exclamou, meio indignado, meio risonho, se soltando do abraço. - Solta! Alguém pode ver!

Ele ajeitou a capa de novo, desnecessariamente, porque o tecido continuava parecendo que tinha sido passado por uma máquina de lavar mal-humorada. Era óbvio que os dois estavam animados muito animados. Draco sentira a excitação de Percy pressionada contra sua coxa o tempo inteiro lá dentro, dura, quente, insistente. E, Merlin o perdoasse, ele também estava afim. Muito afim... O corpo inteiro ainda formigava, os feromônios ômega dançando no ar como se gritassem "mais, mais, mais".

Mas Draco Malfoy, aos dezoito anos, continuava virgem. Um ômega virgem, romântico idiota que um dia sonhara em caminhar até o altar intocado, puro como as princesas dos contos antigos que Narcissa lia pra ele quando criança. O namoro com Harry nunca passara daquela linha invisível: amassos quentes nos corredores, mãos por baixo das camisas, respirações ofegantes contra pescoços, mas nunca... nunca aquilo. E agora esse namoro com Percy que começara como uma farsa conveniente, um escudo contra os olhares curiosos e os boatos venenosos, depois do término com Potter e a declaração e afirmação que ambos nutriam sentimentos um pelo o outro isso fazia Draco questionar todas as suas regras antigas.

Ele falava muito. Sempre falava. Resmungava, provocava, fingia desdém. Mas por dentro? Por dentro ele era uma bagunça completa. Uma vadia completa, como ele mesmo pensava com um misto de vergonha e excitação. Porque agora tudo o que conseguia imaginar era Percy o beijando de novo, marcando-o de verdade, tomando-o devagar (ou não tão devagar) até que não restasse mais nada do ômega romântico de antigamente. E Percy... Percy não era virgem. Annabeth Chase. Anos de namoro. Era óbvio que tinha rolado. Provavelmente em algum campo de batalha sujo de sangue e poeira, entre monstros e deuses, cheios de adrenalina e suor. E agora o semideus estava ali, com um loiro histérico, virgem e inseguro que mal conseguia lidar com um chupão sem surtar internamente.

Eles começaram a andar pelo corredor, lado a lado, tentando parecer dois alunos normais voltando de uma aula extra. Percy com as mãos nos bolsos da calça do uniforme, assobiando baixinho uma melodia qualquer que soava vagamente como uma música de praia. Draco tentando não olhar para ele como se quisesse pular em cima de novo.

- Sabe - começou Percy, quebrando o silêncio com um sorriso torto -você fica lindo quando fica vermelho assim. Tipo um morango loiro com raiva.

- Cala a boca, Jackson - rebateu Draco, mas o canto da boca subiu traiçoeiramente. - E para de sorrir desse jeito. Parece que ganhou na loteria grega.

- Ganhei mesmo. - Percy deu de ombros, roçando o ombro no dele de propósito. - Ganhei você me beijando como se eu fosse o último gole d'água no deserto.

Draco revirou os olhos, mas o coração acelerou.

- Foi só... um lapso momentâneo. Não significa nada.

- Claro. - Percy se aproximou mais, a voz baixando num tom conspiratório. - Lapso momentâneo número sete dessa semana. Tá virando hábito, loirinho.

Draco abriu a boca para retrucar, mas o som de saltos ecoou no corredor. Pansy Parkinson surgiu na curva, um espelhinho de mão na esquerda, o batom vermelho vivo na direita, passando o pigmento nos lábios com a precisão de quem já tinha feito aquilo mil vezes.

Ela parou ao vê-los. Ergueu uma sobrancelha perfeitamente desenhada.

- O que vocês dois estão fazendo aqui? - perguntou, a voz doce como mel envenenado. - Sozinhos. No corredor deserto. Com cara de quem acabou de sair de uma orgia de quinta série.

Draco se afastou de Percy num pulo, como se o braço dele queimasse. Ajeitou a capa (de novo), pigarreou e tentou adotar o tom mais altivo que conseguiu.

- Conversando - disse Percy calmamente, enfiando as mãos mais fundo nos bolsos e dando de ombros. - Só isso.

Pansy fechou o espelhinho com um estalo dramático e cruzou os braços.

- Com a boca? - perguntou ela, os olhos passeando devagar de um para o outro. - Porque o protetor labial do Draco tá borrado até o queixo, e você, Percy, tem uma marca vermelha no pescoço que parece exatamente o formato da boca dele. Coincidência fascinante.

- Pansy! - exclamou Draco, o rosto pegando fogo de novo. Ele cobriu o pescoço instintivamente, como se isso fosse esconder a marca fresca.

- Ah, por favor. - Pansy deu um passo à frente, cheirando o ar de forma exagerada. - Dá pra sentir o cheiro de feromônios daqui até a Sala Comunal. Ômega excitado misturado com alfa possessivo... clássico. Vocês dois fedem a sexo adolescente reprimido.

Percy riu, sem se abalar nem um pouco.

- Pansy, relaxa. A gente só tava... discutindo táticas de quadribol.

- Quadribol? - Ela jogou a cabeça para trás e riu alto, o som ecoando pelas paredes. - No armário de vassouras? Sem vassouras? Com as capas parecendo que foram usadas como pano de chão? E o Draco com cara de quem acabou de descobrir o que é um orgasmo?

Draco gemeu, cobrindo o rosto com as duas mãos.

- Você é insuportável.

- E você é transparente. - Pansy se aproximou, baixando a voz num tom conspiratório. - Olha, eu não ligo se vocês estão namorando de mentira, de verdade, ou só se pegando nos cantos escuros como adolescentes normais. Mas se vão continuar fingindo que foi "conversa", pelo menos aprendam a disfarçar. Porque a Sonserina inteira já tá apostando quanto tempo até vocês transarem de verdade. Eu apostei antes do fim do mês. Não me façam perder dinheiro, loirinho.

Percy ergueu uma sobrancelha, claramente se divertindo.

- E qual é a aposta da outra metade?

- Que o Draco vai surtar, fugir chorando e voltar pro Potter em duas semanas. - Pansy piscou para Draco. - Eu apostei na primeira opção. Não me decepcione.

Draco bufou, mas o sorriso pequeno escapou mesmo assim.

- Você é uma praga, Parkinson.

- E você ama isso. - Ela deu um tapinha no ombro dele, depois se virou para Percy. - E você, semideus... se machucar ele, eu te mato. Mesmo que você controle o oceano inteiro.

Percy ergueu as mãos em rendição, ainda rindo.

- Prometo tratar bem o meu ômega histérico.

- Não sou seu ômega! - protestou Draco, mas o tom saiu fraco, quase carinhoso.

Pansy revirou os olhos dramaticamente, guardou o batom na bolsinha e saiu rebolando pelo corredor, deixando um rastro de perfume caro e deboche.

Percy se aproximou devagar de Draco, passando o braço pelos ombros dele de novo.

- Ela tem razão, sabe? Você é péssimo em disfarçar.

Draco encostou a cabeça no ombro dele por um segundo, só um segundo, respirando fundo.

- Cala a boca e me leva pra Sala Comunal antes que eu mude de ideia sobre tudo isso.

Percy apertou o abraço, beijando o topo da cabeça dele de leve.

- Como quiser, namorado.

E dessa vez, quando disse "namorado", draco sentiu que sim ele e percy jackson estão namorando.

Eles começaram a andar de novo, ombro colado no ombro, as mãos roçando de leve. Draco sentia o calor do corpo de Percy, o cheiro de sal e tempestade que o acalmava e o enlouquecia ao mesmo tempo. E, pela primeira vez em muito tempo, ele não se importou com os boatos, com as apostas, com o que os outros iam pensar.

Porque, no fundo, ele sabia: aquilo não era mais só um armário de vassouras.

Era o começo de algo real.

E ele queria descobrir até onde ia.

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Nota da Autora

Oi, seus pervertidos maravilhosos ♡

Antes que vocês venham me xingar nos comentários por deixar o armário de vassouras no “momento crítico” de novo: sim, eu sei. Eu sou cruel. Mas olha, Draco ainda é virgem e romântico demais pra dar tudo de uma vez num armário que cheira a detergente vencido e poeira de 1998. Deixa o menino respirar (e surtar internamente) um pouquinho mais, vai? Ele merece um slow burn decente antes de virar bagunça total.

 

Próximo capítulo: mais Pansy sendo a rainha do shade, Draco tentando (e falhando) fingir que tá tudo normal, e Percy sendo… bem, Percy. Quem sabe a gente sai do armário de vassouras de verdade dessa vez? (mentira, provavelmente não kkkk)

Beijos molhados e feromônios doces pra vocês,
Shonhos
(que tá aqui se perguntando se já é tarde demais pra fingir que é uma pessoa séria)