Actions

Work Header

Rating:
Archive Warning:
Categories:
Fandom:
Character:
Additional Tags:
Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2016-03-08
Updated:
2016-06-21
Words:
28,638
Chapters:
16/?
Comments:
2
Kudos:
3
Hits:
64

Arkhé - Perseguidos

Chapter 7: Sorteio de duplas (A minha foi um golpe? Não. Sim. Talvez. Quem sabe.)

Notes:

Voltando a postar finalmente ^-^

Vou dar créditos à Rena também pelo nome Carolina. Rena, pode conferir, eu coloquei certinho, letra por letra. Acho que com o "Não é Caroline, é CarolinAAAAAAAA" deu pra entender o recado.

Chapter Text

Quando o sinal tocou, eu saí logo. Alex me chamou para conversamos, mas recusei. Estava mais do que grata por ele ter falado com Rontes e tê-lo feito suspender a prova surpresa e, espero com todo o meu coração, as investigações para descobrir quem estava na sala dos professores. Não tenho ideia de como ele convenceu o professor a trocar isso pela ideia misteriosa, que por sinal ele não quis me contar. Mas ainda assim, eu tinha certeza de que o assunto sobre o qual ele queria conversar era arkhé, e eu não queria ouvir essa palavra novamente. Droga, acabei de pensar nela também.
Resumidamente minha tarde foi assistir episódios de seriados na internet e beber café, e beber mais café, e beber mais café. Minha consciência dizia para eu ir estudar, mas convenhamos, eu não entenderia nada. De qualquer forma, a noite eu dei uma pausa na minha maratona e, com muito sacrifício, abri o livro. Fiz alguns exercícios, e então desisti e voltei ao computador.
Camila veio no dia seguinte. Ela se sentou na cadeira ao meu lado, com um sorriso no rosto, deveria ter ficado até tarde falando com Rodrigo.
-E aí? Perdi alguma coisa ontem?
Alex entrou na sala um pouco antes de o sinal bater. Levantou as sobrancelhas quando viu Camila sentada ao meu lado (acho que esperava poder sentar ali de novo), mas não falou nada e se encaminhou para sentar em uma cadeira duas carteiras atrás de Camila, que não tinha tirado os olhos dele desde que ele entrou.
-Eu acho que perdi sim alguma coisa ontem. Quem é o novato gatinho?
-Até onde eu me lembro você tem namorado Camila, e acho que foi exatamente por ele que você faltou à aula ontem e não conheceu o “novato gatinho” – Fiz aspas com os dedos.
-Só porque eu tenho um namorado isso não me impede de dizer que outros caras são bonitos. Então, quem é ele?
Larissa apareceu do nada e começou a falar tudo sobre ontem. Parecia que estava louca para contar para Deus e o mundo sobre o “Guilherme” e seus feitos.
-Ah e você não sabe o que mais. A Nina já conhecia ele!
-Oi? Calma. Você conheceu esse cara lindo e maravilhoso e não contou para a gente?
-Não, não foi bem assim. Eu só meio que esbarrei nele um dia, nada demais.
-Amiga, conta para a tia Camila aqui. Você se esbarrou ou se jogou nele? Tem uma diferença bem grande e que eu saiba você não é do tipo desastrada.
-Ok, tecnicamente eu me joguei nele. Do tipo de nós dois cairmos no chão. Mas foi mais sem intenção do que parece.
-Aham sei.
Fui salva pelo professor de física. Gostaria de deixar bem claro que nunca pensei que diria isso alguma vez na vida. Ele entrou na sala e imediatamente todos se sentaram.
-Olá alunos. Depois de muito pensar. Decidi mudar de ideia. Vocês não irão mais ter prova surpresa. Acho que isso seria muito injusto com todos os outros alunos que são honestos. Mas não se animem. O rigor vai ser o mesmo. Só que ao invés de fazerem uma prova, será um trabalho, e que envolverá a cidade em alguns locais, e irá testar a capacidade lógica de vocês para resolverem enigmas também, além dos problemas de física claro. Considerando isso, resolvi ser benevolente e tornar a avaliação em dupla. Mas vai ser sorteio, então podem desistir de ficar com seus amiguinhos.
Eu não conseguia acreditar. Essa era a ideia do Alex? Era brilhante! Virei de costas e olhei para ele, que sorriu para mim. Sorri de volta ainda pasma (Como ele tinha feito isso?) e sussurrei um obrigada.
-Muito bem vamos ao sorteio. Eu vou ir a uma pessoa e ela vai tirar um papel que está dentro dessa sacola, o nome que estiver no papel é a sua dupla.
Ele passou por alguns alunos que tiravam os papeis, e então os entregavam ao professor que lia os nomes, e então iam falar com sua dupla, enquanto o professor continuava andando pela sala. Ele chegou em Bruna que tirou Larissa e então foi para Alex, ou Guilherme, que seja.
“Guilherme” tirou um papel da sacola e entregou ao professor, que leu o nome:
-C... cof cof cof. Desculpe, tenho tossido muito esses últimos dias. Sim, sua dupla Guilherme, será Carolina Souza. Acho que vocês dois vão se dar muito bem juntos.
Quem era Carolina Souza? Nunca tinha ouvido falar dessa pessoa na minha vida. Então uma menina de cabelo loiro, olhos azuis e corpo de modelo, se levantou e foi direto falar com Alex.
-Oi! Sou Carolina, mas pode me chamar de Carol mesmo! Acho que vamos ser parceiros nesse trabalho então. – Disse toda sorridente.
Ah. Essa era a Carolina. Continuava sem saber de onde essa menina tinha aparecido. Mas vai saber.
-Nina! – Camila bateu no meu braço.
-Ai! O que?!
-Você vai deixar essa periguete dar em cima do seu cara?!
-Ahn, primeiro: Ele não é meu cara. Somos amigos. Não, menos que isso. Somos colegas. É, isso aí, colegas. Segundo: Ela não é uma periguete e não está dando em cima dele, eles só vão ser parceiros no trabalho.
-É sério? É isso? Nem uma pontinha de ciúmes?
-O que? Não! Não estou sentindo ciúmes. O que eu estou sentindo está mais para... alívio. É isso, alívio. Porque, o que você esperava? Que eu fizesse dupla com ele? Não. Minha dupla vai ser você não é?
Isso, alívio. Estava sentindo alívio. E daí que o Alex fizesse dupla com essa Carolina? E daí que eles talvez combinassem? E daí que era muito provável que eles ficassem juntos? Se ficassem ia até ser melhor. O Alex iria ter alguém. O que significava que eu deveria esquecê-lo. Espera. Pra início de conversa por que ele estava na minha cabeça mesmo? Ele era um idiota. Nada a ver.
-É. Pode ser. Se tivermos sorte, eu sou sua dupla. Pode contar comigo.
-Catarina. – O professor chegou ao meu lado e me estendeu a sacola.
Camila. Camila. Camila. Por favor Camila. Papelzinho que tem escrito Camila Ramon Fernandes. Por favor. Por favor. Por favor. Peguei um papel e entreguei ao professor.
-Camila Ramon Fernandes. – Então andou até o próximo aluno.
-ISSO! – Comemorei quando o professor estava longe. Camila ria.
-Não sei como você sempre consegue. Sério. Toda vez que é sorteio você sempre tira o que quer.
-Bom talvez seja sorte.
-Ou não. Ou sim. Adoraria ter esse dom.
Dom. Sorte. Poder. Será? Será que eu não tinha simplesmente tirado na sorte, mas sim escolhido o papel que eu queria com o meu poder? Mas cogitar isso abria a porta para um pensamento que eu queria deixar lá no fundo, talvez ignorando-o fizesse com que fosse mentira. Mas se isso fosse mesmo verdade, como então eu tinha conseguido tirar a Camila, mas o Alex não tinha conseguido me tirar? Já que... Já que eu também queria fazer dupla com ele? Talvez mais do que com Camila?
*
Com as duplas feitas, o professor nos deu um bloco de tarefas, a primeira folha com um problema, em que a resposta seria um local, e que só lá conseguiríamos entender o enigma e assim os outros problemas. Dei uma olhada no problema e fiz uma careta, era melhor deixar para a Camila resolver. Depois li o enigma. Não entendi nada. Passei o bloco para Camila.
-Já vi que resolver esse problema vai sobrar pra mim não é?
-E você sabe que é por isso que eu te amo. – Sorri e ela revirou os olhos.
-Posso até tentar resolver, mas você não vai escapar. Hoje de tarde, você vai ficar aqui na escola comigo para resolver o problema, mesmo que só o que faça seja olhar para ele sem entender nada.
-Ah não! Por que tem que ser na escola? Porque não na sua casa ou na minha?
-Porque na escola tem uma biblioteca com livros que vão nos ajudar. Sem falar que se for na sua casa, ou até na minha mesmo, você vai ficar assistindo tv e me deixar lá resolvendo.
-Mas eu vou fazer a mesma coisa aqui, só que ao invés da tv vai ser o celular.
-Não vai não. Você não pode usar seu celular se não souber onde ele está.
-Você realmente quer que eu finja te ajudar e fique olhando para uma folha de papel respondendo “aham”, “é”, “sei lá” enquanto você resolve o problema não é?
-Sim.
Revirei os olhos.
-Só vou ficar porque vale nota.
-Ah querida, você realmente achou que tinha escolha? Se você não ficasse por vontade própria, eu te arrastaria pra cá de qualquer jeito.
*
Quando as aulas acabaram eu e Camila saímos para almoçar em um restaurante perto do colégio. Ela não me deixou voltar para casa pois disse que eu ficaria lá e não voltaria. Era o que eu faria mesmo, ela me conhece bem.
Antes de voltar ao colégio, fui ao banheiro no restaurante, e estava ocupado. Resolvi esperar. Achei entranho, parecia que quem estava lá dentro era familiar a mim, era alguém que eu conhecia, só não sabia quem.
Carolina. O nome veio à minha mente, e então percebi. Era a Carolina que estava lá dentro, conseguia senti-la.
Ouvi vozes abafadas, e olhei para os lados. Não havia como ter alguém e eu não visse, era um corredor reto que dava para a porta do banheiro feminino. Percebi que as vozes vinham de dentro do banheiro. E a curiosidade falou mais alto. Encostei o ouvido na porta para ouvir.
-Sim... É claro que eu entendo, mas... Eu sei que é.... - Parecia que ela estava falando ao telefone - Mas eu o achei! ... Sim, eu sei que você não quer boatos... mas... mas... sim, eu entendi, você só quer que eu fale de Alexandre Aguiar quando ele estiver à sua frente... sim, e.... ok, eu vou continuar o meu trabalho e não te perturbar mais.
Espera o que?
Ouvi a fechadura da porta se abrindo corri para fora. Encontrei Camila na saída do restaurante.
-Oi! E aí? Vamos? – Perguntou ela
-Sim. Vamos. Vamos. – Falei, apressada para sair dali.
No caminho fiquei pensando no que tinha ouvido. Não tinha o menor sentido.
“Ah por favor Catarina!” - Briguei comigo mentalmente. - “Você sabe muito bem o que ouviu e sabe como isso se encaixa, só não quer acreditar!”
Eu sabia. O pior é que eu conseguia entender perfeitamente como tudo se encaixava. Não tinha como ser outra coisa. E era melhor eu agir.